sexta-feira, dezembro 16, 2005


Mais uma noite a vencer
...
Partiu na madrugada,
Sem se deixar fazer canção.
De mão aberta se fez à estrada,
Traçando sonhos pelo chão.
...

(Pedro Abrunhosa)
Para o Djordi
Silêncio azul a olhar o céu de Lisboa...

Claro que choveu!
Bolas na Avenida.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Tenho uma amiga que acha que estou possuída pela árvore, mas...
Não apetece entrar e voar?
10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, 0........

terça-feira, dezembro 13, 2005

Gosto da luzes de Natal. Das cores. Das bolas (mesmo quando há só vermelhas, douradas e azuis – para lamentar a ausência das verdes). Gosto dos vermelhos e dos verdes das toalhas. Das velas acesas. Gosto das ruas. Gosto de Lisboa. Da árvore gigante à espreita. Das bolas apagadas na Avenida. E delas a brilhar como luas. E com estas cores e estes brilhos vou alimentando esta “lareira” em Dezembro.
Mas a minha lareira de Natal é ela. A minha irmãzinha. É do que mais gosto no Natal. Desde sempre. Desde que ela existe e o Natal faz tão mais sentido. O nosso jantar de Natal – com todos lá mas que é só nosso. A espera até à meia-noite – com todos lá mas que é só nossa. As prendas que ninguém percebe. As saudades que tínhamos de estar ali as duas. Com todos. Trouxemos amores para partilhar a noite mas a língua que falamos continua a ser só nossa. Os recursos estilísticos são os nossos.
Querias metáforas irmãzinha? A minha metáfora de Natal és tu. É estar contigo.

segunda-feira, dezembro 12, 2005


E à noite, enfeita-se. Tenta esconder-se. Mas continua a espreitar...

Há algo a mais na Baixa. A cada esquina. No final das ruas. Onde o Tejo já se não vê ela aparece. Intromete-se nas nossas conversas. Claro. Ali está ao fim da rua, a olhar, a olhar, a mostrar-se.
Lisboa tem agora esta presença. Este Natal. À espreita. Sempre à espreita. E a olhar para nós. Como se não existisse. E esta manhã vi-a assim.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Hoje, absolutamente por acaso, e em trabalho, tropecei no hino nacional de Cabo Verde, país de que gosto muito e de que tenho muitas saudades.
Achei tão lindo!
Pela liberdade que é hino e pela esperança ser do tamanho do mar... terras que ficam entre um mar imenso e as estrelas...

Canta, irmão,
Canta meu irmão
Que a liberdade é hino
E o homem a certeza.

Com a dignidade, enterra a
Semente no pó da ilha nua:
No despenhadeiro da Vida
A esperança é do tamanho do Mar
Que nos abraça.
Sentinela de mares e Ventos
Perseverantes.
Entre estelas e o atlântico
Entoa o cântico da liberdade.

Canta, irmão
Canta meu irmão que a liberdade
É hino e o homem a certeza.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...
O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...

(Fernando Pessoa, Cancioneiro)
"Cruza a mão sobre o joelho e olha-me em silêncio
A esta hora em que eu não posso ver que tu me olhas,
Olha-me em silêncio e em segredo e pergunta a ti própria
- Tu que me conheces - quem eu sou..."
Álvaro de Campos

segunda-feira, dezembro 05, 2005


O meu pai é muito lindo. Entre muitas outras coisas ele gosta de árvores de Natal. E este ano tem uma que muda de cor e está todo contente com ela. Diz que gosta de adormecer a olhar para aquela luz. É lindo, pronto!

Promessa
Na clara paisagem essencial e pobre
Viverei segundo a lei da liberdade
Segundo a lei da exacta eternidade.
(Sophia de Mello Breyner Andresen, No Tempo Dividido)
(era eu que ía a conduzir, sim, e apeteceu-me muito...)

domingo, dezembro 04, 2005

Estou rodeada de algumas das crianças da família.
O Tomás, que tem 8 anos, acabou de dizer: "Não escrevas. Escrever dá azar."
O Afonso, que tem 9 anos, acha mesmo que "Escrever mata. Abre-te o cérebro".

sábado, dezembro 03, 2005

Um mar rodeia o mundo de quem está só. É
o mar sem ondas do fim do mundo. A sua água
é negra; o seu horizonte não existe. Desenho
os contornos desse mar com um lápis de
névoa. Apago, sobre a sua superfície, todos
os pássaros. Vejo-os abrigarem-se da borrasca
nas grutas do litoral: as aves assustadas da
solidão. «É um mundo impenetrável», diz
quem está só. Senta-se na margem, olhando
o seu caso. Nada mais triste para além dele, até
esse branco amanhecer que o obriga a lembrar-se
que está vivo. Então, espera que a maré suba,
nesse mar sem marés, para tomar uma decisão.

(Nuno Júdice, Pedro, lembrando Inês, encontrado nos arquivos de http://barcosflores.blogspot.com )

sexta-feira, dezembro 02, 2005


Trago dentro do meu coração
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive.

(Álvaro de Campos, Passagem das Horas)

E todas as estradas...
E o céu...
Às vezes em fogo.
Às vezes no chão.

quinta-feira, dezembro 01, 2005


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas
O resto é a sombra
De árvores alheias.

Ricardo Reis, Odes

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa, 1931

quarta-feira, novembro 30, 2005


Fernando Pessoa
13 de Junho de 1888 - 30 de Novembro de 1935
A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.