terça-feira, junho 13, 2006



Apesar de viver um dia triste a Marcha de Alfama ganhou e está de parabéns!
Fernando António de Nogueira Pessoa
nasceu a 13 de Junho de 1888

em dia de aniversário
A fada das crianças


Do seu longínquo reino cor-de-rosa,
Voando pela noite silenciosa,
A fada das crianças vem, luzindo.
Papoulas a coroam, e , cobrindo
Seu corpo todo, a tornam misteriosa.


À criança que dorme chega leve,
E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,
Os seus cabelos de ouro acaricia -
E sonhos lindos, como ninguém teve,
A sentir a criança principia.

E todos os brinquedos se transformam
Em coisas vivas, e um cortejo formam:
Cavalos e soldados e bonecas,
Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,
E palhaços que tocam em rabecas...

E há figuras pequenas e engraçadas
Que brincam e dão saltos e passadas...
Mas vem o dia, e, leve e graciosa,
Pé ante pé, volta a melhor das fadas
Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.


(de "O melhor do mundo são as crianças, antologia de textos de Fernando Pessoa para a infância", ed. de Manuela Nogueira, Assírio & Alvim, Lisboa, 1998. Fotografia de Pessoa aos 10 anos.)


gelados Olá!
fim-de-semana de descanso.

quinta-feira, junho 08, 2006

Verdade, mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos
e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.

Alberto Caeiro

segunda-feira, junho 05, 2006

está calor.

cheira

a sardinhas
a marchas
e a futebol.


(eu quero um manjerico!)

domingo, junho 04, 2006

Para a Nádia Jururu

a promessa.

irei fotografar os jacarandás.

quinta-feira, junho 01, 2006

Dia Mundial da Criança III

Dia Mundial da Criança II
(ele irrita-me, mas disfarçado de Capuchinho Vermelho ainda escapa!)
Dia Mundial da Criança
Quando as crianças brincam

Quando as crianças brincam
E eu as ouço brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar

E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.


Se quem fui é enigma,
E quem serei visão,
Quem sou ao menos sinta
Isto no meu coração.

Fernando Pessoa

05/09/1933

segunda-feira, maio 29, 2006

Lua ausente

a lua não estava lá. Juro. Como foi no dia da praga de insectos devem ter sido eles a deixar marcas na máquina.

sábado à noite.

domingo, maio 28, 2006



calor de fim de tarde na Rua Augusta

segunda-feira, maio 22, 2006


pormenores de um domingo qualquer.
só.
a descer.


ou a subir o azul?

sexta-feira, maio 19, 2006

La poésie
Pourquoi la lecture d'un poème excite notre imagination et nous invite à participer à son achèvement. Les poèmes sont sans doute créés pour atteindre une unité malgré leur inachèvement. Quand mon imagination s'y mêle, ce poème devient le mien. Le poème ne raconte jamais une histoire, il donne une série d'images. Si j'ai une représentation de ces images dans ma mémoire, si j'en possède les codes, je peux accéder à son mystère. L'incompréhension fait partie de l'essence de la poésie.

Excerto do livro "Evidence du film, Abbas Kiarostami" de Jean-Luc Nancy (Setembro 2000)

quarta-feira, maio 17, 2006

Hoje, 17 de Maio de 2006, vive-se a 2ª edição do Dia Mundial Contra a Homofobia.
Por um mundo mais justo para tod@s. Porque tod@s têm direito a viver contentes. E em paz!

domingo, maio 14, 2006


a gata da minha rua vem ter comigo quando desço a escada.
a gata da minha rua vem ter connosco quando tomamos café.
a gata da minha rua fica bem com o rio da minha aldeia ao fundo, debaixo da mesa, como ela.
a gata da minha rua deve ter nome.
mas eu gosto de a sentir assim - como a gata da minha rua. sempre lá.

sábado, maio 13, 2006



e à noite

forte

ela ainda lá estava

sexta-feira, maio 12, 2006



saí do eléctrico.

olhei em frente.

cheguei a casa.

terça-feira, maio 09, 2006

da profunda fome de versos
nasce o olhar para o céu

nas nuvens
a promessa
de um novo olhar
para o mundo

domingo, maio 07, 2006

Lisboa à noite
e à janela
parece nome de canção...

quinta-feira, maio 04, 2006



hoje levei o carro. e a máquina!

Princípe Real. 8 horas

Av. E.U.A. 8.15h

regresso a casa






hoje o dia começou cinzento. (a noite ontem terminou escura também). mas há sol lá fora. percebe-se, então, que afinal, com sol todas as coisas brilham com o brilho que é do sol e não dessas coisas.

(e porque saí de carro, logo talvez haja fotos novas)

terça-feira, maio 02, 2006

Se eu fosse um cantor pimba? Tony Carreira.
Caril!!!
a minha (mais) verdadeira e absoluta obsessão!
gosto tanto desta fotografia! e das outras....

segunda-feira, maio 01, 2006

saudades de chegar...

domingo, abril 30, 2006

Passear em Alfama! Gosto!

sábado, abril 29, 2006














E voltar sempre a Serralves.
(Interessante António Dacosta. Talvez comente.)
Visita de estudo. Ao Porto. Muitos alunos. Muito cansaço.
Noite muito divertida.
E o Porto, sempre lindo, já com saudades!
Absolutamente FANTÁSTICA Casa da Música.
Todos a correr para lá a fazer uma visita guiada!

terça-feira, abril 25, 2006

Abril de sim, Abril de Não

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.

Manuel Alegre

domingo, abril 23, 2006

Lisboa. e céu. e Tejo. e Sol. e tudo. 22 de Abril de 2006.

sexta-feira, abril 21, 2006


Laramie
Teatro Maria Matos
de Moisés Kaufman
20 de Abril a 21 de Maio

A 7 de Outubro de 1998, um jovem foi encontrado amarrado a uma vedação nos arredores da pequena cidade de Laramie (Wyoming, EUA). Tinha sido brutalmente agredido por dois indivíduos, num acto de raiva e de ódio que chocou os americanos e o mundo. Chamava-se Matthew Sheppard e era homossexual. Moisés Kaufman e os membros do Tectonic Theater Project deslocaram-se a Laramie, em pleno rescaldo do homicídio, e entrevistaram mais de duas centenas de habitantes. Esta peça reconstitui os acontecimentos mas, acima de tudo, relata o que se lhes seguiu. A vulnerabilidade, a ambivalência, a complexidade e o medo face à diferença. Em Laramie nada voltou a ser como antes.

Encenação: Diogo Infante
Assistente de encenação: Ana Luísa Guimarães Tradução: Filipa Mourato Espaço Cénico e Figurinos: Carolina Espírito Santo Música: Sérgio Delgado Desenho de Luz: Nuno Meira Imagem/Vídeo: Fernando Galrito Produção: TMM Interpretação: Adriano Luz / Fernando Luís / Filipe Duarte / Flávia Gusmão / Isabel Abreu / Nuno Gil / Paula Fonseca / Pedro Laginha / Teresa Madruga
Muito bom! Excelente encenação! Óptimos actores! Finalmente em Lisboa uma proposta séria sobre questões também nossas. Todos os dias. E mais tristemente ainda no passado mês de Fevereiro no Porto, quando a Gisberta foi brutalmente assassinada pelo mesmo motivo por que Matthew Sheppard também foi: ódio!
Parabéns ao Diogo Infante e à sua equipa! Obrigada ao Teatro Maria Matos! (e a quem me convidou!...)

quinta-feira, abril 20, 2006

"E se o amor vier, deixa-o entrar. O amor voa e tu com ele. O medo é coisa sem rosto, que os pés pisam e enterram."

ofereceram-ma hoje. em dia de pré-pós-rebentamento. e lá olhei para o céu. talvez não chegue a rebentar...
Na incerteza de tudo, a certeza do nada.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, abril 19, 2006

Há 27 anos vivi o primeiro dia mais feliz da minha vida!
Tudo mudou! Não consigo sequer imaginar o mundo sem este dia! Seria mais feio e muito dificil!...
Parabéns!!!

sexta-feira, abril 14, 2006

Olhar para cima, ouvir esta canção e tentar não ter medo de voltar a acreditar!...
TUDO OU NADA

Itamar Assumpção - Alice Ruiz

Come on, Baby
Transformar esse limão em limonada
Passar da solidão pra doce amada
Pegar um trem pra próxima ilusão

Come on, Baby
Segurar esse rojão metade cada
Seguir o coração em disparada
Numa estrada que só tem a contramão

Come on, Baby
Arriscar num passe só de palhaçada
Faz de conta que o que conta conta nada
Apostar na falta de exatidão

Come on, Baby
Repartir toda noite em vários dias
Repetir tudo o que seja alegria
E sonhar na corda bamba da emoção

Come on, Baby
Voar sem avião, sem ter parada
Inverso da razão ou tudo ou nada
Fazer durar a chuva de verão

Come on, Baby
Você e eu, luar, beijos, madrugada
A vida não tá certa nem errada
Aguarda apenas nossa decisão

Zélia Duncan
PRÉ-PÓS-TUDO-BOSSA-BAND

quarta-feira, abril 12, 2006


o fado
um destino
o Tejo
um horizonte

um olhar
em terra nova


o mesmo olhar
uma nova voz

são ecos de fados e Variações em Alfama...

domingo, abril 09, 2006

o mesmo céu de lisboa.
árvores em Alfama.
a primeira de muitas.
em Alfama.

domingo, abril 02, 2006


Sobre a nudez forte da verdade - o manto diáfano da fantasia
Eça de Queirós

sexta-feira, março 31, 2006

Alfama, Velha Lisboa
1930
João de Almeida e Sá
(Para me ambientar....)

quinta-feira, março 30, 2006

Quando Lisboa anoitece
Como um veleiro sem velas,
Alfama toda, parece
Uma casa sem janelas
Aonde o povo arrefece.
É numa água-furtada,
No espaço roubado à mágoa
Que Alfama fica fechada
Em quatro paredes d'água!
Quatro paredes de pranto!
Quatro muros d'ansiedade!
Que à noite fazem o canto
Que se acende na cidade!
Fechada em seu desencanto,
Alfama cheira a saudade!
Alfama não cheira a Fado,
Cheira povo, a solidão!
Cheira a silêncio magoado!

Sabe a tristeza com pão!
Alfama não cheira a Fado
Mas não tem outra canção!


(José Carlos Ary dos Santos )

segunda-feira, março 27, 2006

Hoje só um verso de um velho poema me ecoa:

no escuro só princípios...

que saudades!...

domingo, março 26, 2006

às vezes a lua
cai em cima de nós
parece que cai
parece que sim

“vai lua
volta para lá”

“vem lua
olha por mim”

sabias, meu amor?

sábado, março 25, 2006

A conselho da Nádia Jururu (http://terraimunda.blogspot.com/) procurei saber o que fui numa vida passada! Fui informada de que fui "um artista que nasceu no ano de 35 a.C. na região onde hoje fica o Marrocos". Diziam-me ainda "Cômico, você nasceu para fazer a alegria dos outros, principalmente das crianças que, enfeitiçadas, olhavam para suas acrobacias nas ruas".
Só conto isto porque de manhã tinha tirado esta fotografia!!!

quarta-feira, março 22, 2006

Ontem foi Dia da Poesia!

aos versos que não existem devo todos os dias um obrigada....

sexta-feira, março 17, 2006


Há imagens que não se percebem! Fazer o quê?! Mostrá-las!

quinta-feira, março 16, 2006

poderá chamar-se alegria?!


Espero-te Musa.

nas águas
na estrada
no céu
nos versos

Espero-te Musa.


Quanto tempo falta para um verso lindo?

terça-feira, março 14, 2006

Com o balancear dos ramos primaveris
vejo crescer vontades de criar um mundo
outro de anseios e esperas.
Nesse mundo
não deixarei nunca de cobrir-te com beijos
de oferecer-te pedras esculpidas pelo olhar
com que te pensava.
Reflicto nas mãos sensações de te saber viva
pensando comigo.
E estando aqui e assim
não existe mais nada
entre mim e os ramos
entre o que penso e a primavera
entre o meu corpo e os outros.
Sei-te em cada poro da minha pele,
em cada tacto de todos os meus sentidos.
E lá fora os ramos balanceiam ao ritmo de quem os quer sentir.

domingo, março 12, 2006

BARCOS

"Nha terra e' quel piquinino
E' Sao Vicente e' que di meu"


Nas praias
Da minha infância
Morrem barcos
Desmantelados.


Fantasmas
De pescadores
Contrabandistas
Desaparecidos
Em qualquer vaga
Nem eu sei onde.


E eu sou a mesma
Tenho dez anos
Brinco na areia
Empunho os remos...
Canto e sorrio...
A embarcação
Para o mar!
E' para o mar!...


E o pobre barco
O barco triste
Cansado e frio
Não se moveu...


(Yolanda Morazzo , Cabo Verde)

sexta-feira, março 10, 2006

haverá azul que chegue no mar
para me ouvir?

haverá lua que chegue
para me prender?

haverá mundo que chegue
para mim?

quinta-feira, março 09, 2006

DIZER AMOR

Queria subir às palavras
e gritá-las
E ter o privilégio de inventar
formas diferentes
de dizer amor

(Manuela Amaral)

quarta-feira, março 08, 2006

Doem-me a cabeça e o universo...
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego)

terça-feira, março 07, 2006


Entre amarelos e o azul do céu, gosto tanto de olhar para cima em Lisboa!

segunda-feira, março 06, 2006


sinto que sou ninguém salvo uma sombra

de um vulto que não vejo e que me assombra

(Fernando Pessoa, Cancioneiro)

quinta-feira, março 02, 2006

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical --
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força --
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.
Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!


(Ode Triunfal, excerto, Álvaro de Campos)

Não tenho a certeza de que todos os dias tenham 24 horas! E as horas têm todas 60 minutos? Não. Hoje não!
De que cor será sentir?

(pergunta de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro, em carta de 14 de Março de 1916)

quarta-feira, março 01, 2006

O essencial é saber ver
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê.

Alberto Caeiro,
O Guardador de Rebanhos

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Pela GISBERTA,
a minha dor,
a minha vergonha.


Para o mundo,
às vezes parece
não haver esperança de céu azul...