terça-feira, junho 05, 2007


Leva-me para um lugar
Onde eu goste de estar
Ou leva-me para uma cidade
Onde o céu azul chame por mim
Onde o céu azul me chame para casa
Para casa

Canta-me uma cantiga de embalar
Que me proteja do mal
Onde o céu azul chame por mim
Onde o céu azul me chame para casa
Há um céu azul a chamar por mim
A chamar-me para casa
Para casa
Perry Blake

domingo, junho 03, 2007

já cheira a sardinha. já vibra a cor. já se ouve a cantoria.





quinta-feira, maio 31, 2007


quand je n'ai pas du bleu je mets du rouge
(Picasso)


segunda-feira, maio 14, 2007

Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez.

evocando o Memorial do Convento, de Saramago, em dia de visita de estudo

(visita fantasticamente guiada. quem não leu ainda - quase todos, eu sei, saiu de lá com vontade de ler. e assim vale a pena!)

(hei-de voltar com mais fotos. tirei algumas.)

quarta-feira, maio 09, 2007

Retrato

No teu rosto começa a madrugada.
Luz abrindo
de rosa em rosa,
transparente e molhada.

Melodia
distante mas segura;
irrompendo da terra,
quente, redonda, madura.

Mar imenso,
praia deserta, horizontal e calma.
Sabor agreste.
Rosto da minha alma.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, maio 03, 2007

Revi, ontem, o André Murraças. Estará até dia 12 da Casa d'os Dias da Água, com o espectáculo More of a man.
Trata-se da reposição de dois espectáculos isolados, agora reunidos num só, continuando o projecto que o encenador e dramaturgo tem vindo a desenvolver à volta do conceito de masculinidade enquanto representação em palco.
Já tinha visto os dois isoladamente. Ontem revi-os deliciada e descobrindo sempre novas leituras. Gosto muito da concepção e dos textos de Um marido ideal, mas o André é fantástico em Pour Homme. Pour Homme é um percurso pelas representações do corpo masculino na história da arte, na publicidade e na vida quotidiana.
Parabéns André. Obrigada André.

terça-feira, maio 01, 2007














noutros tempos quando acreditávamos na existência da lua
foi-nos possível escrever poemas e
envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído
pelas salivas proibidas - noutros tempos
os dias corriam com a água e limpavam
os líquenes das imundas máscaras

Al Berto (excerto.Vestígios)

Por isso quando num dia de calor /
Me sinto triste de gozá-lo tanto,/
E me deito ao comprido na erva, /
E fecho os olhos quentes, /
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,/
Sei a verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril de 1974

segunda-feira, abril 23, 2007


Dia Mundial do Livro

Os Direitos do Leitor

O direito de não ler.

O direito de pular páginas.

O direito de não terminar um livro.

O direito de reler.

O direito de ler qualquer coisa.

O direito de amar os "heróis" dos romances.

O direito de ler em qualquer lugar.

O direito de ler uma frase aqui e outra ali.

O direito de ler em voz alta.

O direito de não falar do que se leu.

(Daniel Pennac, Como um Romance)
la bibliothèque en feu, Vieira da Silva

sexta-feira, abril 20, 2007

notas atrasadas e comentários atrasadíssimos. porque nos intervalos das atribulações da vida, ainda há vida.



Dúvida de John Patrick Shanley
encenação Ana Luísa Guimarães

porque gostei muito aconselho. até dia 6 de Maio, no Teatro Maria Matos.








Columbano Bordalo Pinheiro até 27 de Maio no Museu do Chiado - MNAC.





(finalmente vi este Antero ao vivo! impressionante!)
(passear por estes quadros é como passear num livro do Eça. e isso é lindo!)

regressar a Leiria com alunos. é muito canasativo mas muito interessante.

(obrigada Mana from Leiria. a sua colaboração foi fundamental - é que foi responsável pela parte mais apreciada da visita!)






a irmanzinha fez anos ontem. 28. estou a ficar cada vez mais velha ;)

terça-feira, março 27, 2007

Dia Mundial do Teatro

O teatro é uma dimensão da poesia, isto é, a mais alta tentativa de conseguir que cada um de nós se envolva na verdade que não existe, e que é a razão de ser daquilo que dá sentido à existência e a essa coisa (...) que é o tempo.

Eduardo Prado Coelho
(encontrei a citação algures, creio que é do Público)

quarta-feira, março 21, 2007

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto
(Obrigada S. pelo poema e por me lembrares que hoje é o Dia Mundial da Poesia.
à mana from leiria, obrigada pelo poema, lindo, que revejo todos os dias ao descer até casa.)

sexta-feira, março 16, 2007

presente

evocação azul de cheiro a sol na pele.
para sempre ali. para sempre aqui.

(esta foto, ou uma parecida já foi publicada aqui no ano passado. foi de propósito.)


quinta-feira, março 15, 2007

“a única forma de abordar os romances que escrevo é apanhá-los do mesmo modo que se apanha uma doença” diz António Lobo Antunes, Prémio Camões 2007, que me apeteceu deixar aqui porque a última doença que apanhei se chama D'este viver aqui neste papel descripto - Cartas da guerra. não é um romance mas atacou-me deveras.

(pronto, a otite não conta)

sexta-feira, março 09, 2007

METAMORFOSES (1990)

Faça-se luz
neste mundo profano
que é o meu gabinete
de trabalho:
uma despensa.

As outras dividiam-se
por sótãos,
eu movo-me em despensa
com presunto e arroz,
livros e detergentes.

Que a luz penetre
no meu sótão
mental
do espaço curto

E as folhas de papel
que embalo docemente
transformem o presunto
em carruagem!

Ana Luísa Amaral
para assinalar o dia de ontem, 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.
a todas as mulheres da minha vida. todas. as do passado, as do presente. essas, passado e presente, estarão sempre comigo. sempre. (e ontem, como hoje, não consigo deixar de pensar especialmente numa. a MC. que é minha mãe e está, uma vez mais, numa situação difícil. por incrível que pareça continuo a acreditar na força dela. e a desejar ardentemente que ela a tenha. uma vez mais).

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Sol no girassol.
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.

haikai



sábado, fevereiro 24, 2007

fui ouvi(e)r a Cristina Branco cantar Zeca Afonso. passaram 20 anos desde que ele não morreu. MARAVILHOSA Cristina Branco. (re)descobri-a com "Ulisses" e rendi-me definitivamente hoje com o Zeca.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Atmosfera
"O mundo é tão vasto, espaçoso,
O céu tão amplo e majestoso!
Tudo quer ver o meu olhar,
Mas não sei como o imaginar"
Para me encontrar no infinito,
Primeiro distingo, depois junto:
Grato está meu canto e seu lume
Ao homem que às nuvens deu nome.
Joahan Wolfgang Goethe
O jogo das Nuvens (Trad. de João Barrento)
...
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...
...
Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim...

(Álvaro de Campos, ao volante do chevrolet pela estrada de Sintra)