quinta-feira, março 20, 2008

fiz estas amêndoas para desejar a tod@s um excelente fim-de-semana de Páscoa

segunda-feira, março 17, 2008

À memória de Fernando Pessoa

Se eu pudesse fazer com que viesses
Todos os dias, como antigamente,
Falar-me nessa lúcida visão -
Estranha, sensualíssima, mordente;
Se eu pudesse contar-te e tu me ouvisses,
Meu pobre e grande e genial artista,
O que tem sido a vida - esta boémia
Coberta de farrapos e de estrelas,
Tristíssima, pedante, e contrafeita,
Desde que estes meus olhos numa névoa
De lágrimas te viram num caixão;
Se eu pudesse, Fernando, e tu me ouvisses,
Voltávamos à mesma: Tu, lá onde
Os astros e as divinas madrugadas
Noivam na luz eterna de um sorriso;
E eu, por aqui, vadio de descrença
Tirando o meu chapéu aos homens de juízo...
Isto por cá vai indo como dantes;
O mesmo arremelgado idiotismo
Nuns senhores que tu já conhecias
- Autênticos patifes bem falantes...
E a mesma intriga: as horas, os minutos,
As noites sempre iguais, os mesmos dias,
Tudo igual! Acordando e adormecendo
Na mesma cor, do mesmo lado, sempre
O mesmo ar e em tudo a mesma posição
De condenados, hirtos, a viver -
Sem estímulo, sem fé, sem convicção...
Poetas, escutai-me. Transformemos
A nossa natural angústia de pensar -
Num cântico de sonho!
, e junto dele,
Do camarada raro que lembramos,
Fiquemos uns momentos a cantar!

António Botto

Poema de Cinza

As Canções de António Botto




terça-feira, março 11, 2008


Lisboa sob névoa

Na névoa, a cidade, ébria
oscila, tomba.
Informes, as casas
perdem o lugar e o dia.
Cravadas no nada,
as paredes são menires,
pedras antigas vagas
sem princípio, sem fim.
Fiama Hasse Pais Brandão
As Fábulas
edições quasi

segunda-feira, março 10, 2008

A Invisibilidade de Deus

dizem que em sua boca se realiza a flor
outros afirmam:
a sua invisibilidade é aparente
mas nunca toquei deus nesta escama de peixe
onde podemos compreender todos os oceanos
nunca tive a visão de sua bondosa mão
o certo é que por vezes morremos magros até ao osso
sem amparo e sem deus
apenas um rosto muito belo surge etéreo
na vasta insónia que nos isolou do mundo
e sorridizendo que nos amou algumas vezes
mas não é o rosto de deus
nem o teu nem aquele outro
que durante anos permaneceu ausente
e o tempo revelou não ser o meu

Al-Berto
O Medo

quinta-feira, março 06, 2008

cruzei-me contigo no azul. dos céus de Lisboa.

segunda-feira, março 03, 2008

Maria Gabriela Llansol
24 de Novembro de 1931 / 3 de março de 2008
O texto é a única forma de identificar o sexo e a humanidade de alguém porque, ó poeta estranho, o sexo de alguém, é a sua narrativa. A sua, ou a que o texto conta, no seu lugar. Assim o sexo será como for o lugar do texto.
Quando se deseja alguém, como tu desejas Infausta, e ela deseja Johann, é o seu lugar cénico que se deseja, os gestos do texto que descreve no espaço e chamar-lhe precioso companheiro; de mim, direi que fui uma vez enviado, trouxeste a frase que nunca antes leras, o meu corpo a disse, e não reparaste que ficaste com ela escrita.
Lisboaleipzig 2

domingo, março 02, 2008

para celebrar o regresso dos dias quentes...


calor na Rua Augusta!

e Caeiro...

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes
,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Ode ao Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, a água
é a tua bandeira,
agita as suas cores,
sopra e retine no vento,
cidade,
negra náiade,
de claridade sem fim,
de abrasadora sombra,
de pedra com espuma
é o teu tecido,
o cadenciado balanço
da tua rede marinha,
o azul movimento
dos teus pés areentos,
o aceso ramo
dos teus olhos
.
[...]

Pablo Neruda

(a foto não é minha, é da Cat)



quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.
Luís de Camões

terça-feira, fevereiro 12, 2008

ela é linda (mais de quarenta? Ninguém diria.)
ela é inteligente. tem um sentido de humor muito, mas mesmo muito, engraçado.
ela é uma mãe especial. ela cuida muito bem de 3 meninos que eu adoro.
ela faz parte da minha vida de um fazer parte que se confunde com quase toda a história da minha vida.
ela está sempre presente. nos bons, nos maus e nos momentos assim-assim. (e sabemos inventar qualquer pretexto para festejar)
o meu amor por ela é grande.
este é um aniversário diferente de todos os outros e eu sei que é triste. ainda assim aqui ficam os parabéns para a mana from leiria.


(escolhi esta foto porque estávamos contentes quando a tirámos)

domingo, fevereiro 10, 2008

[recado:
sabe bem terminar o fim-de-semana...













a passear a Branca (como as andoras, porque é tão bom fazer-te rir...) ao pôr-do-sol. ]

tanta falta me fazia que até entonteci de cheiro a mar...

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

António Vieira
400 anos

O céu 'strela o azul e tem grandeza.
Este,que teve a fama e à glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.

No imenso espaço do seu meditar,
Constelado de forma e de visão,
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não,não é luar:é luz do etéreo.
É um dia; e,no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.

Fernando Pessoa, Mensagem

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

chegou 2 horas antes. o encontro estava marcado há 8 horas. teve 6 horas para se preparar. vestiu 4 camisas diferentes. experimentou 5 pares de calças. decidiu-se ao 3º par de sapatos. apanhou o eléctrico 15. andou apressadamente até ao autocarro 37. pediu 1 chá preto. comeu 2 bolachas. leu 7 páginas do livro que trazia. pegou no jornal que esperava por alguém na mesa ao lado. abriu na última página. SUDOKU. os quadrados limpos, à espera. faltavam 85 minutos para a hora marcada. 70 minutos depois os quadrados ainda estavam limpos. a chávena vazia. faltam 15 minutos para a hora marcada. 8 horas antes seria o encontro da sua vida. pagou 4 euros.
saiu. correu. hoje é dia 22. foi o último dia da sua vida e o sudoku ficou por fazer.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

O Girassol

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel.
O girassol é o carrossel das abelhas.
Pretas e vermelhas
Ali ficam elas
Brincando, fedelhas
Nas pétalas amarelas.
— Vamos brincar de carrossel, pessoal?
— "Roda, roda, carrossel
Roda, roda, rodador
Vai rodando, dando mel
Vai rodando, dando flor"
— Marimbondo não pode ir que é bicho mau!
— Besouro é muito pesado!
— Borboleta tem que fingir de borboleta na
entrada!
— Dona Cigarra fica tocando seu realejo!
— "Roda, roda, carrossel
Gira, gira, girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o sol".
E o girassol vai girando dia afora . . .
O girassol é o carrossel das abelhas.


O Girassol, de Vinicius de Moraes, porque:
a minha afilhada fez anos ontem e as gargalhadas dela me fazem rodopiar sem me mexer.
dormi melhor esta noite.
o dia de sol, e o resto, me fizeram vibrar mais.
porque sim.

domingo, janeiro 27, 2008

para voltar...
com uma mensagem de quem renasce a cada instante. o mar e a poesia.


Canta e bate o mar, não está de acordo.
Não o amarrem. Não o encerrem.
Está ainda a nascer.

Rebenta a água na pedra e
abrem-se pela primeira vez os seus infinitos olhos.
Mas já de novo se fecham, não para morrer,
mas para continuar a nascer.


Pablo Neruda

quarta-feira, janeiro 02, 2008

quinta-feira, dezembro 20, 2007

o meu largo tem uma árvore que nestes dias de muitos cansaços brilha um feliz natal sempre que chego.
tenho a sorte de morar junto de um largo que me deseja
feliz natal.
para todos os que me visitam aqui fica a árvore do meu largo

sexta-feira, dezembro 07, 2007

...e depois de muitos dias frios, cinzentos, brancos, ventosos, hoje, dia de Passeio Pessoano, passeei num dia azul, com sol e até calor ao almoço!.... e estou assim :)))))))))

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo - Transeunte inútil de ti e de mim.

Fernando Pessoa

vêm esta imagem e estes versos a propósito do Passeio Pessoano que farei amanhã, com os meus alunos. a ver vamos se terei uma madrugada como esta, com o sol a querer chegar. entusiasmada estarei, como sempre, por aqueles lugares "de aldeia na cidade" que revisito com os versos do Pessoa e os olhares curiosos dos meus alunos. a ver vamos.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
os primeiros versos do mais belo poema do mundo. Tabacaria, de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa, que morreu a 30 de Novembro de 1935.
72 anos depois aí anda, pelas mesmas ruas de Lisboa.