domingo, novembro 09, 2008

...
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.
José Carlos Ary dos Santos

quinta-feira, novembro 06, 2008

serão as almas incomunicáveis
estarão as almas incomunicáveis.
na dúvida entendam-se os corpos.

abrimos a mesma janela
e vemos o mar.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Barack Obama.
o presidente dos Estados Unidos da América.

terça-feira, novembro 04, 2008

Arte poética
o poema não tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não
se escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar de doce menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,

José Luís Peixoto
A criança em ruínas
a propósito das eleições americanas de hoje li algures num blog (leio tudo tão a correr que nem tive tempo de fixar quem escreveu, mas alguém escreveu...) que hoje é dia de acreditar.
eu acredito.

domingo, outubro 26, 2008

sem tempo para muito mais e com muita pena de parecer ter abandonado este blog (não abandonei...) aqui fica algo de muito bom de um dia desta semana (por acaso um dia especial...)

sair de casa bem cedo...















chegar a casa bem tarde...














e o Tejo estar sempre lá... também pode chamar-se alegria...

sexta-feira, outubro 10, 2008

desço a rua muito cedo quando o dia ainda acorda. sorrio ao Tejo, que desce comigo. aos meus ouvidos uma italiana canta canções francesas. sento-me no autocarro. ouço a respiração dos outros, ainda poucos, porque é cedo. arrepio-me o resto do caminho. não está frio. é o livro que leio que me põe assim…

sexta-feira, outubro 03, 2008

ا ب ت ث ج ح خ د ذ ر ز س ش ص ض ط ظ ع غ ف ق ك ل م ن ه و ئ

depois de ter conseguido encontrar um teclado que me permitisse reproduzir o alfabeto árabe demorei uma hora a pô-lo aqui (até a passar do word para o blogger altera a ordem e assume a esquerda para a direita em vez da direita para a esquerda... uff! consegui. para verem que já sei o alfabeto e já estou a juntar as letras. isto é tão díficil!.... mas é tão bom aprender a escrever outra vez!...)
aprenderdevechamar-sealegria...

segunda-feira, setembro 29, 2008

embarquei numa aventura nova. voltei à faculdade.
ando a aprender árabe. como dizia ontem a uma amiga, tempo não tenho, mas tenho muita vontade. e muito boa companhia.
já sei quase todo o alfabeto. cada letra é uma vitória. isso é lindo.


Escreve!
Sou árabe!
Sou um homem sem título.
Espero , paciente, num país
Em que tudo o que há existe em raiva.
As minhas raízes,
Foram enterradas antes do início dos tempos
Antes da abertura das eras,
antes dos pinheiros e das oliveiras,
antes que tivesse nascido erva.
O meu pai descende do arado,
E não de senhores poderosos.
O meu avô foi lavrador,
Sem honras nem títulos,
E ensinou-me o orgulho do sol
Antes de me ensinar a ler.
A minha casa é uma cabana,
Feita de ramos e de canas.
Estás feliz com o meu estatuto?
Tenho um nome, não tenho título.»

Mahmud Darwish, poeta árabe

quinta-feira, setembro 18, 2008

Jardim do Torel

porque muita gente me tem perguntado onde é e sábado há excelentes motivos para ir ao Jardim do Torel ir aqui para desobrir onde fica

quarta-feira, setembro 17, 2008

segunda-feira, setembro 15, 2008

mix Madonna

(porque não posso pôr todas, um mix das preferidas! se alguém quiser ver melhor, eu cedo...)
once you dance pop you can't stop
(hoje tudo dói, mas foi tããão bom...)

quinta-feira, setembro 11, 2008

regresso

desde a última vez que aqui vim algumas coisas se passaram:
um grande susto - já passou.
umas não-férias – para o ano há mais!
fiz 35 anos (e os amigos que não se esqueceram salvaram o dia).
voltei e isso é que interessa.
(e tenho uma máquina nova que voltou a despertar uma enormíssima vontade de fotografar :)…)

comecei um novo ano lectivo. com o ânimo reforçado depois do comentário que uma ex-aluna aqui deixou (não faço nada de mais, Nair. obrigada pelas suas palavras. assim vale mais a pena!)

quinta-feira, agosto 07, 2008

os milagres acontecem nas esquinas
nos bairros velhos
nas ruínas da cidade.
esta é a cidade que às vezes me espanta de azul.

terça-feira, agosto 05, 2008

eu quero, eu vou...

ter o meu pedaço de horta
em Lisboa!

quinta-feira, julho 31, 2008

A fonte de todo o mal é o aborrecimento e é ele que é necessário afastar.É necessário mudar constantemente a perspectiva da realidade.Trata-se de afastar tanto quanto possível o ponto onde se sente que a rotina impera, o ponto em que a repetição começa.

Kierkegaard

e isto porquê? chego a casa, olho o Tejo e estou... de férias!!!!

sexta-feira, julho 25, 2008

filmes em dia

poderia escolher outros das últimas semanas ou de que ainda não falei, mas só me apetece seleccionar estes três:

Tropa de Elite
de José Padilha

sim, sei que já toda a gente tinha visto em casa. eu própria já tinha o filme em casa, à espera das férias. mas podendo, escolho sempre, claro, o “escurinho do cinema”.
adorei o Wagner Moura. este é um retrato absolutamente trágico da actual realidade brasileira, a corrupção já não é um problema, é o próprio sistema, a polícia é ineficaz, os bem-intencionados movem-se à força dos seus bem-intencionados interesses pessoais. não sobra nada e não há heróis. há pessoas apenas. e as pessoas morrem.
um murro no estômago. (com Cidade de Deus e Fernando Meirelles por lá a pairar…)

Vigilância
de Jennifer Chambers Lynch

não dá para dizer “tal pai tal filha” porque lhe falta aquilo a que me apetece chamar uma certa “pujança onírica” mas é interessante e conseguiu surpreender-me quase no final… gostei do Bill Pullman (e daquele plano final da miúda…)
Os Amores de Astrea e de Celadon
de Eric Rohmer

lindo como um verso no campo. (serão lindos os versos no campo? eu às vezes digo cada coisa…)
este filme é lindo. pelas pastoras. pela poesia. pelos campos. porque sim.

segunda-feira, julho 21, 2008

leituras em dia

O Alto dos Vendavais - Emily Brontë

graças à minha amiga P., li, finalmente, este livro (e concordo com ela, O Monte dos Vendavais soa melhor, mas...)
ficam a ecoar duas perguntas: será a crueldade do tamanho da infelicidade? onde entra o amor?
e depois destas não saíriamos daqui a fazer perguntas...
será a crueldade o resultado (óbvio?) da infelicidade que corrói algumas (todas as) almas? terão algumas almas (tão) cruéis conhecido algum outro estado se não o da permanente infelicidade, numa espécie de combate, também permanente, em que (se) perdem a convivência pacífica e o respeito pelo(s) outro(s)...
onde entra o amor?
(uma provocação para quem leu: será a Ellen Dean a heroína do romance?)
agora que li fico à espera das outras leituras...


Histórias Falsas, O Senhor Calvino, O Senhor Walser (Ed. Caminho) - Gonçalo M. Tavares

contrariei, finalmente, a minha resistência em relação a este menino e li estes 3 de seguida. gostei mais d' O Senhor Calvino. já aqui publiquei um texto dele. e quebrado o feitiço vou continuar a ler este menino....


Imaginália - Graciete Nobre

gostei deste livro. não resisto a partihar um excerto de que gosto particularmente:
O homem do chapéu
Houve uma pessoa que nunca existiu, por exemplo. Chamava-se ele exactamente pessoa: Fernando Pessoa.
Por nunca ter existido verdadeiramente, todos se sentem no direito de o imaginar.
Imaginam-no sempre com um chapéu na cabeça e é também assim que os pintores o retratam. E com óculos.
O chapéu, por exemplo, é uma prova de que esse homem provavelmente nunca existiu, uma vez que não é uma coisa essencial ao ser. Ou talvez sirva apenas para fingir a sua não existência. Do seu não ter existido nunca.
Pois ele nunca sentiu o prazer de se saber sonhado pelos outros, e quando dormia nunca usava chapéu. Quando se sonhava a ele mesmo a dormir…
Nem óculos.
Sendo assim, quando dormia não existia, segundo a imaginação dalguns.
É por isso que o sonho dos outros é sempre mais real do que a própria realidade.
Pois só existe aquilo que se imagina [no tempo].
Talvez seja isso que não existe nada no fundo do mar. Ou se existe não interessa. Nunca ninguém foi lá ver… ou talvez alguém tenha ido, mas mesmo assim não importa.
Imaginália, porém, é como se fosse o fundo do mar. É a cidade secreta.
gostei deste livro porque tem azul e mar. as cidades que conheço e todas as que quero conhecer.
e esta menina, a autora, tem mesmo muita graça. o livro é da Editora Luz das Letras e já está à venda. quem quiser conhecê-la melhor pode encontrá-la aqui e aqui.

ter sorte é... ir a uma esplanada e ler um livro de uma assentada...

(e logo eu que não gosto de domingos...)