quarta-feira, julho 09, 2008

presente

para a sara, que faz hoje anos e é uma menina linda:
esta foto de um circo longínquo....
e...

Eu quero simplesmente
Te dar um presente
A rosa dos tempos desabrocha, desabrocha
Desabrocha novamente
Eu quero simplesmente
A vida semente
A mente que vibra
Vibra as fibras da cidade
Que vibra novamente
Eu quero simplesmente
Você nesse instante
Amante da vida da vida amante
E o gozo do mundo, gozo sem fundo
Gozamos durante


Zé Miguel Wisnik
(cantado por Zélia Duncan, no "eu me transformo em outras")

segunda-feira, julho 07, 2008

le cirque bleu
1950
Marc Chagall
7 de Julho 1887 - 28 de Março de 1985
apetece voaaaaaaaaaaaaaar............

domingo, julho 06, 2008

"Lisboa e Tejo e tudo..."
começou o meu Verão :)

sexta-feira, julho 04, 2008

e, sendo raro, hoje só apetece... dance with me

(nouvelle vague, dance with me, bande a part)

quarta-feira, julho 02, 2008

Nuvens
Encantei-me com as nuvens, como se fossem calmas
locuções de um pensamento aberto. No vazio de tudo
eram frontes do universo deslumbrantes.
Em silêncio via-as deslizar num gozo obscuro
e luminoso, tão suave na visão que se dilata.
Que clamor, que clamores mas em silêncio
na brancura unânime! Um sopro do desejo
que repousa no seio do movimento, que modela
as formas amorosas, os cavalos, os barcos
com as cabeças e as proas na luz que é toda sonho.
Unificado olho as nuvens no seu suave dinamismo.
Sou mais que um corpo, sou um corpo que se eleva
ao espaço inteiro, à luz ilimitada.
No gozo de ver num sono transparente
navego em centro aberto, o olhar e o sonho.
António Ramos Rosa
Volante Verde - 1986
in Antologia Poética

terça-feira, julho 01, 2008

«Há exercícios para treinar a verdade como, por exemplo, ter medo. Ou então ter fome. Depois restam exercícios para treinar a mentira: todos os grupos são isto, e todos os negócios. Estar apaixonado é a outra forma de exercitar a verdade.»

Gonçalo M. Tavares, Um Homem: Klaus Klump, romance, Caminho, 2003

domingo, junho 29, 2008

Caeiro

Gosto do céu porque não creio que elle seja infinito.
Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?
Não creio no infinito, não creio na eternidade.
Creio que o espaço começa numa parte e numa parte acaba
E que agora e antes d’isso há absolutamente nada.
Creio que o tempo tem um princípio e tem um fim,
E que antes e depois d’isso não havia tempo.
Porque ha de ser isto falso? Falso é fallar de infinitos
Como se soubessemos o que são de os podermos entender.
Não: tudo é uma quantidade de cousas.
Tudo é definido, tudo é limitado, tudo é cousas.

Fernando Pessoa
Poema inédito, sem data, transcrito por Jerónimo Pizarrro, em 2008

sábado, junho 28, 2008

pride
28 de junho
(be happy!)

sexta-feira, junho 13, 2008



Fernando António Nogueira Pessoa

13 de Junho de 1888

A quadra é o vaso de flores que o povo põe à janela da sua alma. Da órbita triste do vaso escuro a graça exilada das flores atreve o seu olhar de alegria.

portanto, porque é dia de quadras nos manjericos e cantigas na avenida...

Cantigas de portugueses

São como barcos no mar -

Vão de uma alma para outra

Com riscos de naufragar.



terça-feira, junho 10, 2008

Julga-me a gente toda por perdido,
Vendo-me tão entregue a meu cuidado,
Andar sempre dos homens apartado
E dos tratos humanos esquecido.

Mas eu, que tenho o mundo conhecido,
E quase que sobre ele ando dobrado,
Tenho por baixo, rústico, enganado
Quem não é com meu mal engrandecido.

Vá revolvendo a terra, o mar e o vento,
Busque riquezas, honras a outra gente,
Vencendo ferro, fogo, frio e calma;

Que eu só em humilde estado me contento
De trazer esculpido eternamente
Vosso fermoso gesto dentro na alma.

Luís de Camões

Hoje, 10 de Junho, é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
e basta ir aqui para perceber quão grave é dizer certas coisas...

segunda-feira, junho 09, 2008


O céu

Assoam-se-me à alma, quem
como eu traz desfraldado o coração sabe o que querem
dizer estas palavras.
A pele serve de céu ao coração.

Luís Miguel Nava
Como alguém disse
Poesia Completa
1979-1994

domingo, junho 08, 2008

desde o último post eu não fui:
ao rock in rio
à praia
beber cervejas (nem kyr)
ao cinema
e não fiz muitas outras coisas que gostaria de ter feito.
trabalhei muitas horas (ganhámos uma importante competição nacional :)). tive algumas conversas difíceis. andei muito aflita de um dedo. continuei a trabalhar muito.

como apesar de tudo estou bem viva, viva ao Pepe, que marcou o primeiro golo:


segunda-feira, maio 26, 2008

Tenho uma grande constipação,
E toda a gente sabe como as grandes constipações
Alteram todo o sistema do universo,
Zangam-nos com a vida,
E fazem espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar
Dói-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor!
Hoje sou verdadeiramente um poeta menor.
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.
Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem se não me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.

Excusez un peu... Que grande constipação física!
Preciso de verdade e de aspirina.


Álvaro de Campos (14-3-31)

domingo, maio 25, 2008

conselho do dia: live a love life.
colhendo o dia. aos pedaços. nas manhãs tardias. na cidade. a vida vai renascendo onde e quando menos se espera...

sexta-feira, maio 23, 2008

Lisboa não é a cidade perfeita

Ainda bem
que o tempo passou
e o amor que acabou
não saiu...
Ainda bem
que há um fado qualquer
que diz tudo o que vida
não diz...
Ainda bem
que Lisboa não é
a cidade perfeita
para nós...
Ainda bem
que há um beco qualquer
que dá eco
a quem nunca tem voz...
Ainda agora vi a louca
sozinha a cantar
do alto daquela janela...
Há noites em que a saudade
me deixa a pensar
um dia juntar-me a ela
um dia cantar como ela...
Ainda bem
que eu nunca fui capaz
de encontrar a viela
a seguir...
Ainda bem
que o Tejo é lilás
e os peixes não páram
de rir...
Ainda bem
que o teu corpo não quer
embarcar na tormenta
do meu...
Ainda bem...
Se o destino quiser
esta trágica história
sou eu...

Ainda agora vi a louca...

Pedro da Silva Martins.

este menino é um dos que criaram e cantam como Deolinda. o disco chama-se "Canção ao lado". parece que querem cantar a tristeza a rir. e conseguem. são lindos. o disco também. a Ana Bacalhau dá a voz (e o corpo e a gargalhada...) a esta Deolinda. adorei vê-los ao vivo. e hoje ouvi várias vezes esta canção. (obrigada Cat. - é por estas e por outras...)

quarta-feira, maio 07, 2008

[…]
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte
Os beijos merecidos da Verdade.

Horizonte, Mensagem, Fernando Pessoa

Ontem uma aluna lia este poema em voz alta numa aula. Eu lia outra coisa e pareceu-me diferente o último verso. Parte do diálogo que se seguiu:

Prof.: A. o que disse no último verso?
Aluna: disse “os beijinhos merecidos da verdade”, professora!
Prof.: beijinhos??? Mas não é isso que lá está!
Aluna: ó professora, ninguém diz beijos…. Nem reparei, mas não tem mal pois não? Toda a gente diz beijinhos!

(esta aula aconteceu ontem, com uma turma do 12º ano;
apeteceu-me partilhar;
eu até digo sempre “beijos” – mas deve ser a minha antiga resistência aos diminutivos que me faz ser “diferente”;
quanto ao “resto”, não faço considerações :)

domingo, abril 27, 2008

ao ouvido hoje ficou... beira-mar

Dentro do mar tem rio...
Dentro de mim tem o quê?
Vento, raio, trovão
As águas do meu querer

Dentro do mar tem rio...
Lágrima, chuva, aguaceiro
Dentro do rio tem um terreiro
Dentro do terreiro tem o quê?

Dentro do raio trovão
E o raio logo se vê
Depois da dor se acende
Tua ausência na canção

Deságua em mim a paixão
No coração de um berreiro
Dentro de você o quê?
Chamas de amor em vão

Um mar de sim e de não
Dentro do mar tem rio
É calmaria e trovão
Dentro de mim tem o quê?

Dentro da dor a canção
Dentro do guerreiro flor
Dama de espada na mão
Dentro de mim tem você

Beira-marBeira-mar
Ê ê beiramar
Cheguei agora
Ê ê beira-mar
Beira-mar beira de rio
Ê ê beira-mar

Maria Bethânia, Mar de Sophia



o fim-de-semana teve manifesto, pais, esplanada, sobrinhos, gargalhadas, jornais, cinema, viagens, "lapadas", outros nomes de código e...
e cheiro a sol na pele...

sexta-feira, abril 25, 2008


25 de Abril
1974-2008

(celebro a data com um dos seus poetas, num dos meus poemas preferidos. cá no cimo duma noite em que espero a manhã clara e o coração limpo)

Canto Moço

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara
Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha
Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.

Zeca Afonso

terça-feira, abril 22, 2008

porque ontem estive no Coliseu a ver, ouvir e a gostar do Nick Cave hoje o poema é dele:

I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms
...
Into my arms, O Lord
Into my arms
And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candlew burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore
Into my arms

quinta-feira, abril 10, 2008

os dias são de vento. e pouco tempo.
(muitas palavras têm cores na minha cabeça quando as penso. o vento é cinzento.)

se o vento é a ignição

se o vento é a ignição
das árvores venha o
temporal
, elas ateadas sobre
as nossas cabeças, desmembradas
da terra como voadores desajeitados, meu pai
já conheço o vão da tua fome, peço-te,
faz de mim uma colher
divina



valter hugo mãe
para vos engordar a alma
útero
edições quasi
2003

sexta-feira, abril 04, 2008

Segredo

Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.

Fernando Pinto do Amaral
Às Cegas

terça-feira, abril 01, 2008

das férias trouxe o mar e a vertigem do areal...

Não te surpreendas amigo se nada mais desejo.
Preciso do tempo todo para seguir o sol.

(Angelus Silesius)

e matei saudades...

2 comentários aos dias que passam:

Hora de verão! :)

preciso da hora de verão para deixar-me seguir ao sol até casa... contente...

"cursinho":
voltei hoje às aulas que não sou eu que dou :)
a propósito do Pessoa! contente!...

quinta-feira, março 20, 2008

fiz estas amêndoas para desejar a tod@s um excelente fim-de-semana de Páscoa

segunda-feira, março 17, 2008

À memória de Fernando Pessoa

Se eu pudesse fazer com que viesses
Todos os dias, como antigamente,
Falar-me nessa lúcida visão -
Estranha, sensualíssima, mordente;
Se eu pudesse contar-te e tu me ouvisses,
Meu pobre e grande e genial artista,
O que tem sido a vida - esta boémia
Coberta de farrapos e de estrelas,
Tristíssima, pedante, e contrafeita,
Desde que estes meus olhos numa névoa
De lágrimas te viram num caixão;
Se eu pudesse, Fernando, e tu me ouvisses,
Voltávamos à mesma: Tu, lá onde
Os astros e as divinas madrugadas
Noivam na luz eterna de um sorriso;
E eu, por aqui, vadio de descrença
Tirando o meu chapéu aos homens de juízo...
Isto por cá vai indo como dantes;
O mesmo arremelgado idiotismo
Nuns senhores que tu já conhecias
- Autênticos patifes bem falantes...
E a mesma intriga: as horas, os minutos,
As noites sempre iguais, os mesmos dias,
Tudo igual! Acordando e adormecendo
Na mesma cor, do mesmo lado, sempre
O mesmo ar e em tudo a mesma posição
De condenados, hirtos, a viver -
Sem estímulo, sem fé, sem convicção...
Poetas, escutai-me. Transformemos
A nossa natural angústia de pensar -
Num cântico de sonho!
, e junto dele,
Do camarada raro que lembramos,
Fiquemos uns momentos a cantar!

António Botto

Poema de Cinza

As Canções de António Botto




terça-feira, março 11, 2008


Lisboa sob névoa

Na névoa, a cidade, ébria
oscila, tomba.
Informes, as casas
perdem o lugar e o dia.
Cravadas no nada,
as paredes são menires,
pedras antigas vagas
sem princípio, sem fim.
Fiama Hasse Pais Brandão
As Fábulas
edições quasi

segunda-feira, março 10, 2008

A Invisibilidade de Deus

dizem que em sua boca se realiza a flor
outros afirmam:
a sua invisibilidade é aparente
mas nunca toquei deus nesta escama de peixe
onde podemos compreender todos os oceanos
nunca tive a visão de sua bondosa mão
o certo é que por vezes morremos magros até ao osso
sem amparo e sem deus
apenas um rosto muito belo surge etéreo
na vasta insónia que nos isolou do mundo
e sorridizendo que nos amou algumas vezes
mas não é o rosto de deus
nem o teu nem aquele outro
que durante anos permaneceu ausente
e o tempo revelou não ser o meu

Al-Berto
O Medo

quinta-feira, março 06, 2008

cruzei-me contigo no azul. dos céus de Lisboa.

segunda-feira, março 03, 2008

Maria Gabriela Llansol
24 de Novembro de 1931 / 3 de março de 2008
O texto é a única forma de identificar o sexo e a humanidade de alguém porque, ó poeta estranho, o sexo de alguém, é a sua narrativa. A sua, ou a que o texto conta, no seu lugar. Assim o sexo será como for o lugar do texto.
Quando se deseja alguém, como tu desejas Infausta, e ela deseja Johann, é o seu lugar cénico que se deseja, os gestos do texto que descreve no espaço e chamar-lhe precioso companheiro; de mim, direi que fui uma vez enviado, trouxeste a frase que nunca antes leras, o meu corpo a disse, e não reparaste que ficaste com ela escrita.
Lisboaleipzig 2

domingo, março 02, 2008

para celebrar o regresso dos dias quentes...


calor na Rua Augusta!

e Caeiro...

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes
,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Ode ao Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, a água
é a tua bandeira,
agita as suas cores,
sopra e retine no vento,
cidade,
negra náiade,
de claridade sem fim,
de abrasadora sombra,
de pedra com espuma
é o teu tecido,
o cadenciado balanço
da tua rede marinha,
o azul movimento
dos teus pés areentos,
o aceso ramo
dos teus olhos
.
[...]

Pablo Neruda

(a foto não é minha, é da Cat)



quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.
Luís de Camões

terça-feira, fevereiro 12, 2008

ela é linda (mais de quarenta? Ninguém diria.)
ela é inteligente. tem um sentido de humor muito, mas mesmo muito, engraçado.
ela é uma mãe especial. ela cuida muito bem de 3 meninos que eu adoro.
ela faz parte da minha vida de um fazer parte que se confunde com quase toda a história da minha vida.
ela está sempre presente. nos bons, nos maus e nos momentos assim-assim. (e sabemos inventar qualquer pretexto para festejar)
o meu amor por ela é grande.
este é um aniversário diferente de todos os outros e eu sei que é triste. ainda assim aqui ficam os parabéns para a mana from leiria.


(escolhi esta foto porque estávamos contentes quando a tirámos)

domingo, fevereiro 10, 2008

[recado:
sabe bem terminar o fim-de-semana...













a passear a Branca (como as andoras, porque é tão bom fazer-te rir...) ao pôr-do-sol. ]

tanta falta me fazia que até entonteci de cheiro a mar...

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

António Vieira
400 anos

O céu 'strela o azul e tem grandeza.
Este,que teve a fama e à glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.

No imenso espaço do seu meditar,
Constelado de forma e de visão,
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não,não é luar:é luz do etéreo.
É um dia; e,no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.

Fernando Pessoa, Mensagem

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

chegou 2 horas antes. o encontro estava marcado há 8 horas. teve 6 horas para se preparar. vestiu 4 camisas diferentes. experimentou 5 pares de calças. decidiu-se ao 3º par de sapatos. apanhou o eléctrico 15. andou apressadamente até ao autocarro 37. pediu 1 chá preto. comeu 2 bolachas. leu 7 páginas do livro que trazia. pegou no jornal que esperava por alguém na mesa ao lado. abriu na última página. SUDOKU. os quadrados limpos, à espera. faltavam 85 minutos para a hora marcada. 70 minutos depois os quadrados ainda estavam limpos. a chávena vazia. faltam 15 minutos para a hora marcada. 8 horas antes seria o encontro da sua vida. pagou 4 euros.
saiu. correu. hoje é dia 22. foi o último dia da sua vida e o sudoku ficou por fazer.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

O Girassol

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel.
O girassol é o carrossel das abelhas.
Pretas e vermelhas
Ali ficam elas
Brincando, fedelhas
Nas pétalas amarelas.
— Vamos brincar de carrossel, pessoal?
— "Roda, roda, carrossel
Roda, roda, rodador
Vai rodando, dando mel
Vai rodando, dando flor"
— Marimbondo não pode ir que é bicho mau!
— Besouro é muito pesado!
— Borboleta tem que fingir de borboleta na
entrada!
— Dona Cigarra fica tocando seu realejo!
— "Roda, roda, carrossel
Gira, gira, girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o sol".
E o girassol vai girando dia afora . . .
O girassol é o carrossel das abelhas.


O Girassol, de Vinicius de Moraes, porque:
a minha afilhada fez anos ontem e as gargalhadas dela me fazem rodopiar sem me mexer.
dormi melhor esta noite.
o dia de sol, e o resto, me fizeram vibrar mais.
porque sim.

domingo, janeiro 27, 2008

para voltar...
com uma mensagem de quem renasce a cada instante. o mar e a poesia.


Canta e bate o mar, não está de acordo.
Não o amarrem. Não o encerrem.
Está ainda a nascer.

Rebenta a água na pedra e
abrem-se pela primeira vez os seus infinitos olhos.
Mas já de novo se fecham, não para morrer,
mas para continuar a nascer.


Pablo Neruda

quarta-feira, janeiro 02, 2008

quinta-feira, dezembro 20, 2007

o meu largo tem uma árvore que nestes dias de muitos cansaços brilha um feliz natal sempre que chego.
tenho a sorte de morar junto de um largo que me deseja
feliz natal.
para todos os que me visitam aqui fica a árvore do meu largo

sexta-feira, dezembro 07, 2007

...e depois de muitos dias frios, cinzentos, brancos, ventosos, hoje, dia de Passeio Pessoano, passeei num dia azul, com sol e até calor ao almoço!.... e estou assim :)))))))))

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo - Transeunte inútil de ti e de mim.

Fernando Pessoa

vêm esta imagem e estes versos a propósito do Passeio Pessoano que farei amanhã, com os meus alunos. a ver vamos se terei uma madrugada como esta, com o sol a querer chegar. entusiasmada estarei, como sempre, por aqueles lugares "de aldeia na cidade" que revisito com os versos do Pessoa e os olhares curiosos dos meus alunos. a ver vamos.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
os primeiros versos do mais belo poema do mundo. Tabacaria, de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa, que morreu a 30 de Novembro de 1935.
72 anos depois aí anda, pelas mesmas ruas de Lisboa.

quinta-feira, novembro 29, 2007

a última frase

I know not what tomorrow will bring.

Fernando Pessoa, 29 de Novembro de 1935

domingo, novembro 25, 2007

temporada 2007
(e uns regressos a casa mais iluminados!)

segunda-feira, novembro 19, 2007


chuva. frio. trovoada.
calças molhadas. medo de escorregar. chapéus de chuva a pingar. o jornal molhado. autocarro cheio.
regresso do cachecol. das botas. do casaco de lã. das mãos frias. do aquecedor ao chegar a casa.
chuva. frio. trovoada. o susto da trovoada em cima de mim.

domingo, novembro 18, 2007

Portugal 1 Arménia 0
gritámos mais antes do jogo do que depois do jogo. jogaram mal. mas ganhámos. e este estádio, com o castelo, lindo, a espreitar...
estava tanto frio... mas foi tão bom! (a minha equipa de bancada é das melhores do mundo!)

segunda-feira, novembro 12, 2007


és feita de pedra e de luz
quando te atravesso
és infinitamente grande
raiva de não te poder abraçar inteira.
é quando te atravesso que te abraço.

regresso à origem
de Lisboa em mim à noite

segunda-feira, novembro 05, 2007

Pessoa revisita Lisboa...

...onde menos se espera



Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
A Outra Margem
de Luís Filipe Rocha

ando há dois dias para escrever este post. é difícil para mim fazê-lo por uma razão simples: adoraria ter gostado mais deste filme. a promessa de cartaz é "um travesti que perdeu o gosto pela vida é confrontado com a alegria de viver de um adolescente com síndrome de Down" e essa é uma promessa simples mas ambiciosa. naturalmente ambiciosa porque lida com preconceitos difíceis de ultrapassar numa sociedade rural e de um tempo bem mais intolerante.
cumpre de alguma forma a promessa de abrir os olhos ao espectador intolerante ao confrontá-lo com os limites da (a)normalidade. mas sabe-me a pouco porque deixa inconsistente uma relação que poderia ter sido bem mais bela (afinal o cinema pode - e deve? - fazer isso). a narrativa é inconsistente em muitos aspectos e naquele em que não podia sê-lo: a relação de Ricardo com Vasco.
gostei do excepcional trabalho do Filipe Duarte e do excepcional trabalho do Tomás Almeida. mas adoraria ter gostado mais deste filme.

sábado, novembro 03, 2007

A Estranha em Mim - The Brave One
de Neil Jordan
desde 1992, com The Crying Game, que o Neil Jordan não me dava um soco no estomâgo como este (e depois da desilusão do Breakfast on Pluto).
um filme forte sobre o medo, a força e a estranheza de uma mulher quando se perde dentro da força que arranja para combater o medo. violento. como a estranheza da condição humana.
e uma sempre bem-vinda Jodie Foster (que também se redime da minha desilusão com o seu Flightplan)

Paraíso
de Olga Roriz
com Catarina Câmara, Maria Cerveira, Sara Carinhas, Sylvia Rijmer, Bruno Alexandre, Pedro Santiago Cal

Teatro São Carlos - até 4 de Novembro


Integrado no espaço da programação dedicado à dança contemporânea do Teatro de São Carlos o espectáculo de Olga Roriz inspirou-se no musical americano e tem a particularidade de algumas canções serem interpretadas pelos bailarinos.
Há muito tempo que um espectáculo não me esmagava desta maneira (ri, chorei, arrepiei, turbilhei!).
A maravilhosa Sara Carinhas canta ‘Homens e Mulheres’ e ‘Bang Bang’ - You shot me down / Bang Bang, I hit the ground
(ainda têm tempo até dia 4; é que vale mesmo a pena!)

terça-feira, outubro 30, 2007

este fim-de-semana soube a
lareira
cheirou a
frio
gargalhadas
e céu azul.

quarta-feira, outubro 24, 2007

o dia começou atrasado, depois de uma noite de insónia perdi o autocarro pela primeira vez corri para apanhar o metro entrei num autocarro a abarrotar apanhei chuva quando saí do autocarro e continuei com um sorriso nos lábios. dois sorrisos juntos.
E a leitura da semana foi:
Fernando Pessoa, O menino da sua mãe
de Amélia Pinto Pais
este livro é LINDO. não escrevi aqui sobre ele há mais tempo porque não saberia o que dizer.
foi apresentado na Casa Fernando Pessoa na semana passada e foi com uma imensa emoção que percebi que continuo a sentir-me a deslumbrada aluna da melhor professora do mundo. que neste livro nos ensina como é lindo e grande este menino, Fernando Pessoa. há vinte anos que aprendo com ela, sempre.
(entretanto na sexta-feira à noite vivi um momento lindo quando partilhei o livro, os poemas e a emoção (a irmazinha quis que eu lesse!) com aquelas pessoas lindas que foram a correr comprá-lo. amo-vos por tudo, por nada e por isso)
les chansons d'amour
de Christophe Honoré

gostei deste filme porque:
- adoro Paris e tenho saudades,
- adoro a língua francesa e ouço-a pouco;
- continuo a achar que a língua francesa está muito próxima da língua do amor;
- o amor é o amor - quando é múltiplo (poli?), quando é indefinido, quando é difícil, quando é grande, quando dura muito e quando dura pouco e não tem orientação, predefinida ou socialmente reprimida;
- saí com um sorriso nos lábios e o coração contente;
gostei muito deste filme.


e há mais tempo vi

o capacete dourado
de Jorge Cramez

gostei deste filme porque:
- é português e gosto e vou ver cinema português;
- a banda sonora é muito interessante;
- os actores, jovens, prometem (e aqui cumprem!);
- este plano da noite da festa é LINDO e salvaria um filme;
- gostei de ver um amigo num "papel" diferente;
- o mais recente cinema português está quase todo lá (é que está mesmo e isso é genial).
a pedido de várias famílias (pronto, houve uma que insistiu mais...) volto a iniciar a tentativa de registar aqui os filmes que vou vendo. pelo menos aqueles de que vou gostando. prometo que vou tentar (às vezes o tempo não dá para tudo).

sexta-feira, outubro 19, 2007

Só existe uma coisa melhor do que fazer novos amigos: conservar os velhos.
Elmer G. Letterman
como a minha AMIGA afg está mais velha um ano e eu me alegro, e muito, por ela estar mais um ano na minha vida aqui lhe deixo esta praia, que é das que mais gosto no mundo (e ela uma menina das que mais gosto também. ela sabe, mas sei que gosta que a lembre!). parabéns!

terça-feira, outubro 16, 2007


Um gato vivo é qualquer coisa linda
Nada existe com mais serenidade
Mesmo parado ele caminha ainda
As selvas sinuosas da saudade
(de um soneto de Vinicius de Moraes)
a Alice desapareceu. há mais de quinze dias que não me vê chegar a casa. olho à minha volta e tento encontrá-la todos os dias no meu caminho. os filhos dela andam por cá e esperam. a olhar o Tejo. e a olhar para mim.

domingo, outubro 07, 2007

fim-de-semana prolongado soube a
cinema exposição o corpo humano como nunca o viu passeios na Baixa 8ª Festa do Cinema Francês passeios jantar em família irmanzinha Adolfo e Eva juntos gato Rosa e gata Azul O Segredo Feira da Ladra sardinha assada Jardim da Estrela eléctrico 28 fotografar Lisboa experiências com vermicelli e tudo aquilo que não posso contar
e como fim-de-semana prolongado soube a
pouco
o melhor do fim-de-semana prolongado é prolongá-lo
até segunda :)

sexta-feira, outubro 05, 2007

hoje é dia de oferecer flores.
é Dia da República.
é Dia do Professor.
é dia da Melhor Professora do Mundo. a quem dedico especialmente estas flores.

terça-feira, outubro 02, 2007

hoje uma menina dedicou um post aos gatos que conhece. como já me perguntou várias vezes pelo Adolfo, que também lá está, e não se têm cruzado, aqui fica. olha como ele está grande!

quinta-feira, setembro 20, 2007

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.

Sim, mas agora,

Enquanto dura esta hora,

Este luar, estes ramos,

Esta paz em que estamos,

Deixem-me crer

O que nunca poderei ser.

Fernando Pessoa


quinta-feira, setembro 13, 2007


Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro chama-se amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.
Tenzin Gyatso, Dalai Lama

quarta-feira, setembro 12, 2007

Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...

Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chiou do céu
E enegreceu os caminhos...

Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz não,
Não sei porquê - eu não tinha medo -
Quis-me rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...

Ah, é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentir-me-ia ainda mais simples
Do que julgo que sou...
Sentir-me-ia familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranquilamente, ouvindo a chaleira,
E tendo parentes mais velhos que eu
E fazendo isso como se florisse assim.
Sentir-me-ia alguém que possa acreditar em Santa Bárbara...
Ah, poder crer em Santa Bárbara!

(Quem crê que há Santa Bárbara,
Julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)

(Que artifício! Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara,?... Um ramo de árvore,
Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos...
Poderia julgar que o sol
Alumia e que a trovoada
É um barulho repentino
Que principia com luz.
Ah, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde de existir
Das árvores e das plantas!)

E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz...
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega...


Alberto Caeiro