domingo, outubro 10, 2010

...
a poesia nem sempre
adopta a forma
de um poema

Tadeusz Rozewicz

terça-feira, outubro 05, 2010

domingo, setembro 19, 2010

um passeio pessoano muito especial

Ó céu azul - o mesmo da minha infância -
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!


Lisbon Revisited, Álvaro de Campos

domingo, setembro 05, 2010

domingo, agosto 29, 2010

filmes

a tentar recuperar bons hábitos, filmes dos últimos dias:

O segredo dos seus olhos, argentino, de Juan José Campanella.
só depois de ver percebi que tinha sido o filme vencedor do óscar para melhor filme estrangeiro 2010. um policial sobre o amor e o impacto da vingança na vida das pessoas. ou o impacto do amor. gostei dos actores e de uma belíssima Soledad Villamil.
Salt, de Phillip Noyce, ou melhor, Salt, com Angelina Jolie (se foi por isso que o fui ver, é melhor dizer já).
de ficar sem fôlego (por isso também, mas principalmente porque a velocidade dos acontecimentos é estonteante). vê-se bem e espero que continue a saga qualquer dia.
Canino, grego, de Yorgos Lanthimos. uns quantos socos no estômago. será um filme sobre os limites da condição humana, a alienação... o mais impressionante filme que vi nos últimos anos. e isto no sentido literal, impressionante no sentido de impressionar. ainda estou impressionada e talvez não passe depressa. quem não viu não percebe nada do que digo, quem viu talvez...

descer

sábado, agosto 28, 2010

a pouco e pouco
o regresso.

sexta-feira, agosto 13, 2010


"os livros mudam o destino das pessoas"

A Casa de Papel, de Carlos Maria Dominguez, argentino, foi o meu segundo livro de férias. gostei tanto. fala sobre o amor pelos livros e pelas bibliotecas. recomendo.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Por amor s'orna a terra
d'água e de verdura;
às árvores dá folhas, cor às flores.
Em doce paz, a guerra;
a dureza, em brandura;
e mil ódios converte em mil amores.
Quantas vidas a dura
morte desfaz, renova;
a formosa pintura
do mundo, amor a tem inteira e nova.

António Ferreira, Castro

A Formosa Pintura do Mundo de Frederico Lourenço. o meu primeiro livro de férias. gostei.

segunda-feira, agosto 02, 2010

a cidade nas minhas mãos... às vezes...
toda nas minhas mãos. g(c)ravada em todas as paredes.


domingo, agosto 01, 2010

é verão na minha aldeia.

segunda-feira, julho 12, 2010

entras
outra vez só
num
som da rua


jean daive

quarta-feira, julho 07, 2010

...um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.

(para a C.L., que me diz ter tido o clique da poesia com o Eugénio de Andrade e que me pediu hoje para não deixar este blog.)

terça-feira, julho 06, 2010


- Vens-me buscar?
- Vou. Mas onde?
- Tanto faz, desde que me venhas buscar.

Histórias Verdadeiras. Pedro Paixão



domingo, julho 04, 2010

o sol vai apagar-se e o
universo implodir. só por isso
hesito em escrever poesia, três
minutos antes de a maré encher

deito o corpo, invento asas
...

valter hugo mãe

sábado, julho 03, 2010

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia


Al Berto

domingo, junho 27, 2010

sábado, junho 26, 2010

sexta-feira, junho 25, 2010

clicar em cima para (l)ver melhor...
e durante muito tempo quase todos os dias à noite eu aqui vinha. depois o FB começou a roubar esse espaço e esse tempo foi-se gastando por lá. mas vou tendo saudades de aqui voltar e do tempo em que procurava os versos para as imagens do dia. as efemérides passaram a passar mais por lá que por aqui. mas é a este canto, a minha "lareira", que me apetece voltar. tentarei.

sábado, maio 15, 2010

voltar...

é tão dificil guardar um rio quando ele cabe dentro de nós

quarta-feira, março 24, 2010

vou ao circo resgatar os palhaços. quero-os na rua.

quero os palhaços pobres a gargalhar.

quero os palhaços tristes a tropeçar na calçada.

quero os acrobatas no arco da rua augusta.

quero os mágicos no rossio. quero a baixa a delirar.

vamos ao circo. ao sol. todos os dias me faz falta o circo.

s.l.
voltar de uma espécie de atordoamento. regressar. com sol e poesia. porque desta vez me apeteceu.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

eu gosto mesmo muito desta menina
(1972-2010)

sexta-feira, janeiro 01, 2010

2010. feliz ano novo!

quinta-feira, dezembro 24, 2009

cruzei-me com esta velha conhecida hoje aqui em leiria. um dia rodopiei com ela aqui. hoje mostro-a de novo para desejar um feliz natal!




eu acredito no pai natal.

de chocolate.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

:)

talvez a partir de hoje o meu país se prepare para ser um país melhor... estúpido é haver tanta gente a ter de esperar por isto.

terça-feira, dezembro 08, 2009

se...

se eu tivesse olfacto não queimava o arroz tantas vezes.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Os milagres acontecem
a horas incertas
e nunca estou em casa
quando o carteiro passa


Anaifa, os milagres acontecem

sábado, novembro 28, 2009

fruto vermelho

na praça da figueira

terça-feira, novembro 24, 2009

voltar...

aqui e às ruas da baixa. tão suspensa quanto a luz.

terça-feira, novembro 10, 2009

voltar com algo divertido. 40 anos.

o sol nasceu.
como está lindo o céu. cá vou eu, vem tu daí também. aprender como se vai até à Rua Sésamo.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Barack Obama

Prémio Nobel da Paz
em dia de aniversários especiais esta é uma notícia que me enche de um imenso orgulho

terça-feira, outubro 06, 2009

Amália
Estranha forma de vida
Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.
Que estranha forma de vida
Tem este meu coração
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.
Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.
Eu não te acompanho mais:
pára, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
Porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.

terça-feira, setembro 29, 2009

Parabéns!


a Mafalda faz hoje 45 anos. como o meu Afonso também faz anos hoje, este post é para ele.

quarta-feira, setembro 23, 2009


voltei.
fui capaz de voltar com este quadro, de que me lembrei ontem. vê-lo pela primeira vez, há muitos anos, mudou a minha vida. não explicarei porquê. chama-se A condição humana e é de 1933. o próprio René Magritte explica-o assim:
"coloquei em frente de uma janela, vista do interior de um quarto, uma pintura representando exactamente a parte da paisagem oculta pela própria pintura. Portanto, a árvore representada na pintura escondia a árvore localizada por trás dela, fora do quarto. Ela existia para para o espectador, desta forma, ao mesmo tempo dentro do quarto, na pintura e fora do quarto, na paisagem real. Que é como nós vemos o mundo: nós vemo-lo como existindo fora de nós próprios, mesmo que seja apenas uma sua representação mental o que nós sentimos dentro de nós."

quinta-feira, agosto 13, 2009

tantas coisas que me esqueceria de muitas...
há fotografias novas e os versos hão-de acompanhá-las.
ainda ando por aqui.
agora vou de férias e qualquer dia hei-de aqui voltar.

obrigada a todos os que não se esqueceram de que fiz anos no dia 10.

quinta-feira, julho 30, 2009

domingo, julho 19, 2009

fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem


José Luís Peixoto

quinta-feira, julho 16, 2009

e é quando tento agarrar
o sol que reparo ter
as mãos convexas
valter hugo mãe
estou escondido na cor amarga de fim de tarde

terça-feira, junho 30, 2009

Pina Bausch1940-2009
(há momentos que mudam as nossas vidas...)



sexta-feira, junho 26, 2009

deve ser estúpido vir aqui escrever que o Michael Jackson morreu quando provavelmente vamos ouvir dizer isto a toda a hora nos próximos dias. mas deve chamar-se tristeza o que sinto com isso. e nem me apetece explicar porquê. apetece-me só assumir isso.

segunda-feira, junho 22, 2009

o novo disco da Zélia Duncan

tenho-o comigo desde hoje. chama-se pelo sabor do gesto e vai buscar o nome a uma canção de um dos mais recentes meus filmes preferidos, les chansons d'amour de Christophe Honoré (2007), de que gravou aqui duas versões.
ainda o ouvi poucas vezes para escolher uma preferida (ela escolheu da banda sonora a minha preferida, as-tu déjà aimé, mas alterou-lhe ligeiramente o sentido que lhe dou e a força que ela, a canção, me dá). por isso escolhi esta. só porque é a primeira. até porque voltarei a estas canções, a nova banda sonora dos meus caminhos.
BOAS RAZÕES
De Bonnes Raisons Alex BeaupainVersão Zélia Duncan
Participação Fernanda Takai
Teu fogo inflama a razão
Perguntas queimam então
Meu coração quer pensar
Respostas caem no chão
Se eu vou te amar
São boas minhas razões
Pra que te amar
Por que razão te confessar
Boas razões pra te amar
Não vou mais confessar
Talvez seu charme me atraia
Talvez a tal solidão
Má sorte ou belas palavras
Talvez um vício em paixão
Não guardo mais, melhor falar
Qualquer razão pra te amar
Não guardo mais
Por que razão te confessar
Boas razões pra te amar
Não vou mais confessar
Parece um anjo esquece as asas por aqui
Glória
Santos perfumes vozes do céu vêm pra te ouvir
Aleluia
Talvez seu cheiro de flor
Um jeito de adormecer
No frio faz um calor
Motivos pra me aquecer
Não guardo mais, melhor falar
Qualquer razão pra te amar
Não guardo mais
Por que razão te confessar
Boas razões pra te amar
Não vou mais confessar

domingo, junho 21, 2009

primeiro dos 93 dias de Verão :)

...
No Verão os dias ficam maiores.
No Verão as roupas ficam menores.
No Verão o calor bate recordes
E os corpos libertam seus suores.

Eu gosto é do Verão
De passearmos de prancha na mão.
Saltarmos e rirmos na praia
De nadar e apanhar um escaldão.
E ao fim do dia, bem abraçados
A ver o pôr-do-Sol
Patrocinado por uma bebida qualquer.
...

a fúria do açúcar

(fui à praia e apetece-me cantar... deve chamar-se alegria de Verão a chegar...)

segunda-feira, junho 15, 2009

Esta Tarde a Trovoada Caiu

Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas,
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos ...
Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz que não,
Não sei porquê — eu não tinha medo —
pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...

Ah! é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentia-me ainda mais simples
Do que julgo que sou...
Sentia-me familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranquilamente, como o muro do quintal;
Tendo ideias e sentimentos por os ter
Como uma flor tem perfume e cor...
Sentia-me alguém que nossa acreditar em Santa Bárbara...
Ah, poder crer em Santa Bárbara!

(Quem crê que há Santa Bárbara,
Julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)

(Que artifício! Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara?...
Um ramo de árvore,
Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos...
Poderia julgar que o sol
É Deus, e que a trovoada
É uma quantidade de gente
Zangada por cima de nós ...
Ali, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde em existir
Das árvores e das plantas!)

E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz...
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega.

Alberto Caeiro

(eu que nunca rezo não sei rezar a Santa Bárbara...)

sábado, junho 13, 2009

é Santo António e Alfama brilha!




nascido a 13 de Junho de 1888

Fernando Pessoa

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.
Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se o vento...


Alberto Caeiro


Ora até que enfim..., perfeitamente...
Cá está ela!
Tenho a loucura exactamente na cabeça.
Meu coração estoirou como uma bomba de pataco,
E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...
Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a serapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!
Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!
Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto resolvido em vários —
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim...
Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o.
Com esforço, mas era para bom fim.
Ao menos era para um fim.
E assim como sou não tenho nem fim nem vida...


Álvaro de Campos


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


Ricardo Reis

sexta-feira, junho 12, 2009


café matinal.


quarta-feira, junho 10, 2009

Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.

A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que é verdade.

Olhai como Amor gera, num momento
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.


Luís de Camões

terça-feira, junho 09, 2009


E ao anoitecer

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia
Al Berto

sábado, junho 06, 2009

(o meu jogo preferido faz 25 anos!?)
(e o logo do google está lindo!)

terça-feira, junho 02, 2009

Arménio Vieira, Prémio Camões

Quiproquó

Há uma torneira sempre a dar horas
há um relógio a pingar no lavabos
há um candelabro que morde na isca
há um descalabro de peixe no tecto

Há um boticário pronto para a guerra
há um soldado vendendo remédios
há um veneno (tão mau) que não mata
há um antídoto para o suicído de um poeta

Senhor, Senhor, que digo eu (?)
que ando vestido pelo avesso
e furto chapéu e roubo sapatos
e sigo descalço e vou descoberto.

Arménio Vieira

Cabo Verde, a terra com que a minha vida volta e meia se cruza...

terça-feira, maio 26, 2009

dias afastada. muito trabalho. problemas. noites mal dormidas e dias demasiado cheios.

queria ter escrito sobre o João Bénard da Costa e não consegui. queria ter dito como foi importante para mim ter lido tantos filmes antes de os ver... queria ter conseguido dizer que é possível ensinar a amar o cinema, mas não consegui. ficou o nó na garganta.

jantar em casa com companhia (tão...........) ajuda a recompor o(s) estrago(s).

e hoje um ramo de flores salvou os dias grandes e cheios:

espero que os meus alunos tenham percebido que gosto mesmo de estar ali. com eles. não por eles. por mim.



segunda-feira, maio 18, 2009

A noite não tem braços
Que te impeçam de partir,
Nas sombras do meu quarto
Há mil sonhos por cumprir.
Não sei quanto tempo fomos,
Nem sei se te trago em mim,
Sei do vento onde te invento, assim.
Não sei se é luz da manhã,
Nem sei o que resta em nós,
Sei das ruas que corremos sós,
Porque tu,
Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.
A estrada ainda é longa,
Cem quilómetros de chão,
Quando a espera não tem fim,
Há distâncias sem perdão.
Não sei quanto tempo fomos,
Nem sei se te trago em mim,
Sei do vento onde te invento, assim.
Não sei se é luz da manhã,
Nem sei o que resta em nós,
Sei das ruas que corremos sós,
Porque tu,
Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.
Navegas escondida,
Perdes nas mãos o meu corpo,
Beijas-me um sopro de vida,
Como um barco abraça o porto.
Porque tu,
Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.


Pedro Abrunhosa, Momento

domingo, maio 17, 2009

Uma espécie de céu
Um pedaço de mar
Uma mão que doeu
Um dia devagar
Um Domingo perfeito
Uma toalha no chão
Um caminho cansado
Um traço de avião
Uma sombra sozinha
Uma luz inquieta
Um desvio na rua
Uma voz de poeta
Uma garrafa vazia
Um cinzeiro apagado
Um hotel na esquina
Um sono acordado
Um secreto adeus
Um café a fechar
Um aviso na porta
Um bilhete no ar
Uma praça aberta
Uma rua perdida
Uma noite encantada
Para o resto da vida
Pedes-me um momento
Agarras as palavras
Escondes-te no tempo
Porque o tempo tem asas
Levas a cidade
Solta me o cabelo
Perdes-te comigo
Porque o mundo é o momento
Uma estrada infinita
Um anúncio discreto
Uma curva fechada
Um poema deserto
Uma cidade distante
Um vestido molhado
Uma chuva divina
Um desejo apertado
Uma noite esquecida
Uma praia qualquer
Um suspiro escondido
Numa pele de mulher
Um encontro em segredo
Uma duna ancorada
Dois corpos despidos
Abraçados no nada
Uma estrela cadente
Um olhar que se afasta
Um choro escondido
Quando um beijo não basta
Um semáforo aberto
Um adeus para sempre
Uma ferida que dói
Não por fora, por dentro

Pedro Abrunhosa, Momento



sábado, maio 16, 2009

terça-feira, maio 12, 2009

Quem dorme à noite comigo
É meu segredo,
Mas se insistirem, lhes digo,
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo.

E cedo porque me embala
Num vai-vem de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.

Gritar quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim
Gostava até de matar-me,
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.
Amália Rodrigues
(redescoberta no Amália Hoje, a música das minhas manhãs)

segunda-feira, abril 27, 2009

Aldina Duarte: Princesa Prometida


Aldina Duarte: Princesa Prometida
Manuel Mozos

documentário, 2009 (estreou ontem, no IndieLisboa)


vi a Aldina Duarte pela primeira vez muito antes de a ouvir. (fiquei fascinada com uma entrevista, há uns anos, no canal 2, à Ana Sousa Dias. já contei esta história várias vezes e a várias pessoas)

entre as voltas que a vida dá e depois de ouvir os discos muitas vezes, o meu caminho voltou a cruzar-se com ela. e hoje venho aqui falar do fantástico filme que ontem estreou no Indie Lisboa. o meu amigo Manuel Mozos está de parabéns mas é da Aldina que quero falar: uma mulher que é muito mais que uma fadista - quando fala é um mundo inteiro que nos explica com uma gargalhada contagiante. um mundo com o qual me identifico e em que quero acreditar. uma eterna aprendiz que sabe ensinar algo absolutamente precioso: liberdade.

admiro esta mulher.

sábado, abril 25, 2009

quinta-feira, abril 23, 2009

Dia Mundial do Livro

e neste dia que é do livro, como os meus dias tentam ser, um dos sítios mais lindos do mundo (é, seguramente, dos que mais gosto. emociono-me sempre que lá entro. sou contente quando ali estou). um verdadeiro e belo elogio à leitura e aos livros.

e pode conhecer-se aqui



a propósito de 19 de abril

uns dias atrasada, eu sei, não podia deixar de aqui deixar aquilo de que estás à espera, x., uma mensagem para ti:
no dia 19 de abril de 1979 eu ainda não tinha meia dúzia de anos. e nesse dia já senti que a minha vida mudava. e assim se inundou deste grande amor, o verdadeiramente incondicional. e já tem 30 anos.

domingo, abril 05, 2009

o que eu sei é que nestes momentos a dúvida, feita de medo e de insónia, me invade.
e nada, nada dentro de mim, chega. adio quase tudo e fico à espera.

o que eu sei é que nestes momentos o medo, feito de dúvida e de insónia, me invade.
e nada, nada dentro de mim, chega. adio quase tudo e fico à espera.

o que eu sei é que nestes momentos a insónia, feita de dúvida e de medo, me invade.
e nada, nada dentro de mim, chega. adio quase tudo e fico à espera.

(e no entanto a minha vida não pára nunca.)

do medo e da verdade

terça-feira, março 31, 2009

na esplanada



- mas que sabes tu de amores improváveis?
- que sei eu? li os clássicos russos.
- ah!...


domingo, março 29, 2009

Caminho eternamente sobre estas margens,
entre a areia e a espuma.
O fluxo do mar apagará a impressão dos meus passos,
e o vento levará a espuma.
Mas o mar e a margem permanecerão
eternamente.


Kahlil Gibran

terça-feira, março 17, 2009

cheguei a casa muito cansada como os meus dias novos me fazem chegar. à minha espera tinha uma prenda. de alguém que também faz lindos os meus dias. por gostar tanto dela, da mana, os meus dias são bem melhores... (e és, mfl, como mais uma vez provaste, das pessoas mais fortes que eu conheço; e das que mais admiro!)
A minha rua tem fado cilado
Um jeito de me falar que nem
a própria rua a noite sabe dizer
O que a minha rua, O que a minha rua
me conta ao adormecer.

Saudades vividas esperanças contidas
O medo na algibeira, o sonho na bagagem
E sempre esta viagem na noite sorrateira

A minha rua tem palco solar
Um jeito de me tocar, porque cada pedra
Vê em uma nem eu sei dizer
Tudo o que a minha rua, tudo o que a minha rua
me mostra ao entardecer

Saudades vividas e esperanças contidas
O medo na algibeira, o sonho na bagagem
E sempre esta viagem na noite sorrateira

Saudades vividas esperanças contidas
O medo na algibeira, o sonho na bagagem
E sempre esta viagem na noite sorrateira


Rosa Alves, cantado por Viviane

domingo, março 15, 2009

sexta-feira foi dia de Passeio Pessoano. mais tarde que o habitual, num fantástico dia de Sol.

...quando o dia é de sol (como acontece
Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece...