sexta-feira, abril 20, 2007

notas atrasadas e comentários atrasadíssimos. porque nos intervalos das atribulações da vida, ainda há vida.



Dúvida de John Patrick Shanley
encenação Ana Luísa Guimarães

porque gostei muito aconselho. até dia 6 de Maio, no Teatro Maria Matos.








Columbano Bordalo Pinheiro até 27 de Maio no Museu do Chiado - MNAC.





(finalmente vi este Antero ao vivo! impressionante!)
(passear por estes quadros é como passear num livro do Eça. e isso é lindo!)

regressar a Leiria com alunos. é muito canasativo mas muito interessante.

(obrigada Mana from Leiria. a sua colaboração foi fundamental - é que foi responsável pela parte mais apreciada da visita!)






a irmanzinha fez anos ontem. 28. estou a ficar cada vez mais velha ;)

terça-feira, março 27, 2007

Dia Mundial do Teatro

O teatro é uma dimensão da poesia, isto é, a mais alta tentativa de conseguir que cada um de nós se envolva na verdade que não existe, e que é a razão de ser daquilo que dá sentido à existência e a essa coisa (...) que é o tempo.

Eduardo Prado Coelho
(encontrei a citação algures, creio que é do Público)

quarta-feira, março 21, 2007

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto
(Obrigada S. pelo poema e por me lembrares que hoje é o Dia Mundial da Poesia.
à mana from leiria, obrigada pelo poema, lindo, que revejo todos os dias ao descer até casa.)

sexta-feira, março 16, 2007

presente

evocação azul de cheiro a sol na pele.
para sempre ali. para sempre aqui.

(esta foto, ou uma parecida já foi publicada aqui no ano passado. foi de propósito.)


quinta-feira, março 15, 2007

“a única forma de abordar os romances que escrevo é apanhá-los do mesmo modo que se apanha uma doença” diz António Lobo Antunes, Prémio Camões 2007, que me apeteceu deixar aqui porque a última doença que apanhei se chama D'este viver aqui neste papel descripto - Cartas da guerra. não é um romance mas atacou-me deveras.

(pronto, a otite não conta)

sexta-feira, março 09, 2007

METAMORFOSES (1990)

Faça-se luz
neste mundo profano
que é o meu gabinete
de trabalho:
uma despensa.

As outras dividiam-se
por sótãos,
eu movo-me em despensa
com presunto e arroz,
livros e detergentes.

Que a luz penetre
no meu sótão
mental
do espaço curto

E as folhas de papel
que embalo docemente
transformem o presunto
em carruagem!

Ana Luísa Amaral
para assinalar o dia de ontem, 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.
a todas as mulheres da minha vida. todas. as do passado, as do presente. essas, passado e presente, estarão sempre comigo. sempre. (e ontem, como hoje, não consigo deixar de pensar especialmente numa. a MC. que é minha mãe e está, uma vez mais, numa situação difícil. por incrível que pareça continuo a acreditar na força dela. e a desejar ardentemente que ela a tenha. uma vez mais).

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Sol no girassol.
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.

haikai



sábado, fevereiro 24, 2007

fui ouvi(e)r a Cristina Branco cantar Zeca Afonso. passaram 20 anos desde que ele não morreu. MARAVILHOSA Cristina Branco. (re)descobri-a com "Ulisses" e rendi-me definitivamente hoje com o Zeca.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Atmosfera
"O mundo é tão vasto, espaçoso,
O céu tão amplo e majestoso!
Tudo quer ver o meu olhar,
Mas não sei como o imaginar"
Para me encontrar no infinito,
Primeiro distingo, depois junto:
Grato está meu canto e seu lume
Ao homem que às nuvens deu nome.
Joahan Wolfgang Goethe
O jogo das Nuvens (Trad. de João Barrento)
...
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...
...
Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim...

(Álvaro de Campos, ao volante do chevrolet pela estrada de Sintra)

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Todas as cartas de amor são
Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos

terça-feira, fevereiro 13, 2007

algumas notas atrasadas:



SIM. o país desta vez não me desiludiu de todo. irrita-me a abstenção. mas o sim dá-me esperança.



a menina d'óculos contente nunca mais voltou. por onde andará ela a sorrir e a despedir-se da mãe?
todos os dias naquela paragem me lembro dela. será que continua sempre contente? será...

resisto a habituar-me ao novo Público. é quase como se me obrigassem a mudar de jornal. e a edição online, também renovada, demora muito mais tempo a abrir. tanto vermelho e tantas imagens para quê?


Blood Diamond. Di Caprio é candidato a melhor actor. é um bom candidato. fez-se, o rapaz que começa a perder o ar de rapazinho. Djimon Hounsou é candidato a melhor actor secundário. ora eu acho que Djimon Hounson não é um actor secundário. eu acho que ele é o herói do filme. no sentido clássico do termo. no sentido cinematográfico do termo. em todos os sentidos, espero (valha isso dos Óscares o que valer) que este menino ganhe um óscar!

Babel. não gostei. acho mau.

domingo, fevereiro 04, 2007

(Sou das Rua dos Douradores, como a humanidade inteira)

"Há sossegos de campo na cidade. Há momentos (...) em que, nesta Lisboa luminosa, o campo, como um vento, nos invade. E aqui mesmo, na Rua dos Douradores, temos o bom sono"

Bernardo Soares

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

(em véspera de Roteiro Pessoano, tropecei neste Campos; ou não conhecia ou há muito que o não lia)

Ora até que enfim..., perfeitamente...
Cá está ela!
Tenho a loucura exatamente na cabeça.
Meu coração estourou como uma bomba de pataco,
E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...

Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!

Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!

Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto resolvido em vários —
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim...
Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o.
Com esforço, mas era para bom fim.
Ao menos era para um fim.
E assim como sou não tenho nem fim nem vida...

Álvaro de Campos

quarta-feira, janeiro 31, 2007

e mais memórias brancas de neve viva











(para assinalar um final de Janeiro na Serra, em visita de estudo!)
o tempo a descascar-se e a refazer-se em neve e em frio

e o azul em céu e luz e água ao fundo


segunda-feira, janeiro 15, 2007

este fim-de-semana vi o documentário de Bruno Almeida, The Art of Amalia.
e não posso deixar de contar que adorei conhecer melhor esta extraordinária mulher. de uma força, de uma cultura, de uma dedicação, de uma energia notáveis. Extraordinária forma de vida, diria eu.



Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.


Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.


Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.


Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.


Amália Rodrigues

sexta-feira, janeiro 12, 2007

a única coisa verdadeiramente genial em mim
é a minha loucura
a única

a única.

e não consigo transformá-la em nada.

em nada.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

UM CARNAVAL

[ou um baile que quero que seja AZUL, digo eu]

Vem ao baile vem ao baile
Pelo braço ou pelo nariz
Vem ao baile vem ao baile
E vais ver como te ris

Deixa a tristeza roer
As unhas de desespero
Deixa a verdade e o erro
Deixa tudo vem beber

Vem ao baile das palavras
Que se beijam desenlaçam
Palavras que ficam passam
Como a chuva nas vidraças

Vem ao baile, oh tens que vir
E perder-te nos espelhos
Há outros muito mais velhos
Que ainda sabem sorrir

Vem ao baile da loucura
Vem desfazer-te do corpo
E quando caires de borco
A tua alma é mais pura

Vem ao baile vem ao baile
Pelo chao ou pelo ar
Vem ao baile baile baile
E vais ver o que é bailar

Alexandre O'Neill



sexta-feira, janeiro 05, 2007

já cheguei há uns dias. as férias foram óptimas. mas o ano começou com trabalho muito e diferente, ainda a encontrar o novo ritmo.
portanto ainda em aceleração para voltar com versos e imagens, um EXCELENTE 2007 às visitas!

terça-feira, dezembro 26, 2006

Até para o ano!
Obrigada a tod@s que por aqui passaram!
Um excelente 2007!
(voltarei logo, logo...)

domingo, dezembro 24, 2006

FELIZ NATAL 2006

sábado, dezembro 16, 2006

Para infundir força

Estão na minha taça
a vertigem brilhante
a embriaguez borbulhando.
Grandes redemoinhos
sobre nós às avessas
estão na minha taça.
Um grande coração de urso
um grande coração de águia,
um grande coração de milhafre,
um grande vento que roda-
juntaram-se todos num só.
Estão na minha taça.
- Bebe-a agora.

(Poemas Ameríndios - Papagos- trad. de Herberto Helder)

(a minha amiga S.C. mandou-mo hoje e eu não resisto a partilhá-lo)

quarta-feira, dezembro 13, 2006



vim só dizer:

- que estou viva e ainda aprecio o céu azul por cima de mim (frio!!!! mas azul!);

- que a menina d'óculos contente ainda não voltou :(;

- que estou muito cheia de trabalho, mas espero sobreviver;

Daqui a 12 dias é Natal!

quarta-feira, dezembro 06, 2006


rumo à Lua!!!

segunda-feira, dezembro 04, 2006

fim-de-semana cor de Outono


[...]
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
[...]
Poema V, Alberto Caeiro

segunda-feira, novembro 27, 2006

domingo, novembro 26, 2006

radiograma

Alegre triste meigo feroz bêbedo
lúcido
no meio do mar


Claro obscuro novo velhíssimo obsceno
puro
no meio do mar


Nado-morto às quatro morto a nada às cinco
encontrado perdido
no meio do mar
no meio do mar


Mário Cesariny
Lisboa 1923 - Lisboa 2006

quinta-feira, novembro 23, 2006

apanho todos os dias o mesmo autocarro, à mesma hora sempre.
(chego lá cansada, mas levo nos olhos o Tejo)
já conheço as caras de quem partilha a mesma viagem. à mesma hora sempre. na mesma paragem sempre. e antes de chegar espero-as com o entusiasmo de quem vê uma cara que lhe faz bem.
(as caras familiares fazem-me bem)
o segurança acabado de sair do turno, barba por fazer, traz sempre A Bola. Senta-se, abre o jornal e quando eu saio já está a dormir - sairá no sítio certo?
a menina-d’óculos-contente entra a seguir e acena alegremente à mãe que a traz e a vigia da paragem. esta menina-d’óculos-contente deve ter um problema qualquer. vê-se que já teria idade para apanhar o autocarro sozinha, mas não deve conseguir. quando nos aproximamos lá está ela, sempre contente, de mão dada com a mãe. entra sempre atabalhoadamente, com uma enorme mochila, um casaco cor-de-rosa (é novo e antes do frio trazia um cinzento), o passe ao pescoço e senta-se, contente, a dizer adeus à mãe que espera na paragem, continuando invisivelmente de mão dada com ela.
(não olho nunca para trás para saber se a mãe vai logo embora)
a senhora de uns óculos enormes entra na seguinte. aqueles óculos já não existem em lugar nenhum. aquelas saias de pregas e aqueles casacos de malha curtos também não.
(isto sou eu a dizer assim, porque se exibem orgulhosamente ainda entre os Fanqueiros e a Madalena)
ali vou eu, ao pé destes e dos outros todos. a adivinhar-lhes as histórias, os empregos, as vontades do dia, o que terão comido de manhã, a música dos headphones.
(gosto tanto de tentar adivinhar as músicas. nunca devo acertar. e acho isso lindo. e continuo a tentar adivinhar todos os dias)
terça-feira, a menina-d’óculos-contente não entrou. não chegou a tempo, pensei. entretive-me com a senhora de óculos grandes (ia caindo...) e a música dos outros.
quarta-feira, a menina-d’óculos-contente não entrou.
hoje a menina-d’óculos-contente não entrou. pensei nela várias vezes esta manhã. penso nela ainda.
espero ansiosamente pelas oito de amanhã. para voltar à música dos outros e tentar agarrar invisivelmente a mão da menina que tem medo de ir sozinha. ela faz parte das minhas manhãs e não quero que lhe aconteça nada que a impeça de andar contente.
(ela não saberá nunca, mas preciso de continuar a vê-la contente. como se chamará a menina-d’óculos-contente?)
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
já uma vez aqui tinha posto este verso do Caeiro. mas hoje amanheceu assim na minha aldeia e não resisto.
o Sol disse bom dia e foi embora.
o Tejo, esse, cumpre todos os dias a sua missão. fica ali, ao meu lado, enquanto eu desço. tentando não pensar em nada, estando só ao pé dele.

terça-feira, novembro 14, 2006



e apenas os versos voam por entre todas as ruas estreitas...

quinta-feira, novembro 09, 2006

um dia destes tropecei numa frase de alguém que dizia haver apenas duas coisas que Portugal tinha e que mais ninguém tem igual: Fernando Pessoa e a luz de fim de tarde de Lisboa. Hoje saio de casa, olho para isto e compreendo uma vez mais.

domingo, novembro 05, 2006

em jeito de resposta:

a alma triste já não se desfaz.
refaz-se.
em versos. em maresia.
e em nuvens brancas.

quarta-feira, novembro 01, 2006

1 de Novembro.
2 coisas a assinalar:
este blog faz 1 ano.
fui à praia. sim. molhei-me e tudo.

terça-feira, outubro 31, 2006

segunda-feira, outubro 30, 2006

segunda-feira, outubro 23, 2006


a ver. e a ouvir.

domingo, outubro 22, 2006

depois de todas as perdas, são horas.
horas de voltar. a tudo.
all that jazz...

segunda-feira, outubro 16, 2006

CHOVE!

Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

(José Gomes Ferreira)

quinta-feira, outubro 12, 2006


A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!
(Cesário Verde)

quarta-feira, outubro 11, 2006

afinal já cá está!
depois de se ter evaporado por uns dias parece que o blog voltou a "dar as caras". A ver vamos se eu cá volto um destes dias.
desapareceu?

domingo, outubro 08, 2006

quarta-feira, setembro 27, 2006
















Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu ainda quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa

Sophia Andresen

domingo, setembro 24, 2006

há ninhada nova
rente ao muro
rente à lua

segunda-feira, setembro 18, 2006

Volver
bom.
é bom voltar a Almodóvar.
é bom voltar a La Mancha e sentir o vento bater-nos na cara.
(o reencontro da mãe e das filhas é também um reencontro com uma certa Espanha não muito diferente de um certo Portugal.
gosto disso. gosto do vento. gosto da ideia do reencontro e da tradição. não gosto tanto de alguma inconsistência narrativa que me faz sentir o todo muito aquém dos últimos três filmes do menino. mas gosto da Penélope)

quarta-feira, setembro 13, 2006

A recusa das imagens evidentes


IV
Há noites que são feitas dos rneus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca forarn feitas.

Há noites que levamos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à bainha dum cometa.

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
A mais longínqua onda do seu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nos fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.

Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exactidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.

Natália Correia, que soube recusar as imagens evidentes, nasceu a 13 de Setembro

domingo, setembro 10, 2006

sábado, setembro 09, 2006

choveu.
daquela chuva miudinha.
entra na pele.
e muda a vida.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

segunda-feira, setembro 04, 2006


a mesma curva
a estrada
outro olhar
a mesma estrada

obrigada L.
Portinho da Arrábida
...

sexta-feira, setembro 01, 2006



acabaram as férias.

e o tempo para olhar demoradamente o sol a ir-se embora.

voltei.

quarta-feira, agosto 23, 2006

deve chamar-se... azul-mergulho
deve chamar-se... azul-esplanada

quarta-feira, agosto 16, 2006

Peguei o arco-íris pelas pontas
E dei-lhe as duas voltas de um cachecol
A ver se assim das nuvens tu me contas
Porque és agora chuva, agora sol

Porque é que o teu olhar carmim-celeste
Tem do azul toda a melancolia
E o beijo cor-da-lua que me deste
À beira da maçã que em mim floria

Porque há lilases brancos no teu sonho
Promessas cor-de-fogo no sorriso
Talvez sejam as cores que eu componho
Talvez sejam as cores que eu preciso

Nas verdes madrugadas dos amores
Em todas elas eu me sinto tua
Talvez o arco-íris tenha as cores
Que eu só consigo ver à luz da Lua


poema de João Monge -o cachecol do fadista- cantado por Aldina Duarte, em Crua
, em Crua)

(imagem de pormenor do mar e do céu na Ponta do Sal)

sexta-feira, agosto 11, 2006

Obrigada!
a todos!
aos que telefonaram.
aos que mandaram mensagens.
aos que mandaram e-mails.
aos que mandaram e-cards.
aos que fizeram comentários aqui.
(a quem fez um post sobre isso. Ai Nádia, Nádia!)
aos que foram.
aos que estiveram muito tempo.
aos que estiveram pouco tempo.
aos que não se esquecem nunca.
(aos que se esquecem, mas que um dia destes se lembram!)
fiz 33 anos ontem.
que bom ter amigos!

segunda-feira, agosto 07, 2006

segredos de férias. às vezes I.

às vezes ouçou as conversas dos outros nas esplanadas.
e não disfarço muito.
o post anterior foi o número 200. pois foi.

estava a chegar a casa e havia uma lua atrás do candeeiro. a iluminar o Tejo. estava cheia.

estava a chegar a casa e havia uma lua atrás do candeeiro. a iluminar o Tejo. estava cheia.
Descobertas de férias I.

ópera só fica bem com vinho tinto (mesmo sendo Madama Butterfly cantado pela Callas uma coisa esmagadora)

chocolate só fica bem com vinho... se for tinto.

(vinho branco fica bem nas sardinhadas e em piqueniques)