disse-lhe muitas vezes adeus. cruzei-me muitas vezes com ele na minha rua que era nossa e passou a fazer parte. da minha vida como da cidade.
http://www.youtube.com/watch?v=PwQ28vw3M7s
quinta-feira, novembro 11, 2010
terça-feira, novembro 09, 2010
segunda-feira, novembro 08, 2010
Encantei-me com as nuvens, como se fossem calmas
locuções de um pensamento aberto. No vazio de tudo
eram frontes do universo deslumbrantes.
Em silêncio via-as deslizar num gozo obscuro
e luminoso, tão suave na visão que se dilata.
Que clamor, que clamores mas em silêncio
na brancura unânime! Um sopro do desejo
que repousa no seio do movimento, que modela
as formas amorosas, os cavalos, os barcos
com as cabeças e as proas na luz que é toda sonho.
Unificado olho as nuvens no seu suave dinamismo.
Sou mais que um corpo, sou um corpo que se eleva
ao espaço inteiro, à luz ilimitada.
No gozo de ver num sono transparente
navego em centro aberto, o olhar e o sonho.
António Ramos Rosa
sexta-feira, novembro 05, 2010
quinta-feira, novembro 04, 2010
quarta-feira, novembro 03, 2010
terça-feira, novembro 02, 2010
Sobre um Poema
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Herberto Helder
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Herberto Helder
segunda-feira, novembro 01, 2010
leitura do fim-de-semana
os corações também se gastam
Pedro Paixão
(para matar saudades de textos curtos; para matar saudades de ler um livro de uma assentada)
Pousa um momento,
Um só momento em mim,
Não só o olhar, também o pensamento.
Que a vida tenha fim
Nesse momento!
No olhar a alma também
Olhando-me, e eu a ver
Tudo quanto de ti teu olhar tem.
A ver até esquecer
Que tu és tu também.
Só tua alma sem tu
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu. Tudo o que sou
Ficou com o momento
E o momento parou.
Fernando Pessoa
Um só momento em mim,
Não só o olhar, também o pensamento.
Que a vida tenha fim
Nesse momento!
No olhar a alma também
Olhando-me, e eu a ver
Tudo quanto de ti teu olhar tem.
A ver até esquecer
Que tu és tu também.
Só tua alma sem tu
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu. Tudo o que sou
Ficou com o momento
E o momento parou.
Fernando Pessoa
fui reler os primeiros posts e sendo eu a mesma, a minha vida é já tão outra que tudo parece muito mais distante do que 5 anos. os sentidos para aqui chegar, como lhes chamei, são os mesmos sentidos, na essência (embora não exactamente na forma) com que o fui mantendo ao longo destes anos, embora o tivesse abandonado algumas vezes. o tempo que lhe dedicava foi escasseando e outras ferramentas (como o FB) foram ocupando esse tempo. mas ele aqui está, como forma de escrever o mundo ainda. como forma de ir dizendo o mundo, dentro e fora de mim, embora só às vezes. e quase sempre com as palavras dos outros.
domingo, outubro 31, 2010
Que a cobra fique à espera sob
as suas ervas daninhas
e que a escrita se faça
de palavras, lentas e prontas, rápidas
no ataque, quietas na tocaia,
sem jamais dormir.
- pela metáfora reconciliar
as pessoas e as pedras.
Compor (ideias
só nas coisas) Inventar!
Saxífraga é a minha flor que fende
as rochas.
William Carlos Williams
as suas ervas daninhas
e que a escrita se faça
de palavras, lentas e prontas, rápidas
no ataque, quietas na tocaia,
sem jamais dormir.
- pela metáfora reconciliar
as pessoas e as pedras.
Compor (ideias
só nas coisas) Inventar!
Saxífraga é a minha flor que fende
as rochas.
William Carlos Williams
sábado, outubro 30, 2010
quarta-feira, outubro 27, 2010
domingo, outubro 24, 2010
terça-feira, outubro 05, 2010
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