FELIZ NATAL!
quarta-feira, dezembro 24, 2008
segunda-feira, dezembro 15, 2008
cabeça
duas respostas de dois alunos diferentes. hoje. num teste meu. já nem interessa a pergunta.
"cabeça é uma parte do nosso organismo que serve para pensar e serve também para sentir"
" a cabeça é a parte importante do nosso corpo porque:
-cabeça é a frente
- cabeça é armazém."
quinta-feira, dezembro 11, 2008
MANOEL DE OLIVEIRA
segunda-feira, dezembro 08, 2008
sábado, dezembro 06, 2008
quarta-feira, dezembro 03, 2008
domingo, novembro 30, 2008
quarta-feira, novembro 26, 2008



uma oferta. como dantes...
O girassol
Traz-me um girassol para que o transplante
no meu árido terreno
e mostre todo o diaao espelho azul do céu
a ansiedade do teu rosto
amarelento
Tendem à claridade as coisas obscuras
esgotam-se os corpos num fluir
de tintas ou de músicas. Desaparecer
é então a dita das ditas
Traz-me tu a planta que conduza
onde crescem loiras transparências
e se evapora a vida como essência
Traz-me o girassol de enlouquecidas luzes.
Eugenio Montale
quinta-feira, novembro 20, 2008
quarta-feira, novembro 19, 2008
sobre o amor marinho

sou o teu mar, senhora minha,
e não me perguntes da viagem
nem do tempo da partida e da chegada:
só tens de esquecer os impulsos da terra
e obedecer às leis do mar
e entrar-me como peixe enfurecido;
racha o navio em dois pedaços
e o horizonte em dois pedaços
e a minha vida em dois pedaços
sou o teu mar, senhora minha,
e não me perguntes da viagem
nem do tempo da partida e da chegada:
só tens de esquecer os impulsos da terra
e obedecer às leis do mar
e entrar-me como peixe enfurecido;
racha o navio em dois pedaços
e o horizonte em dois pedaços
e a minha vida em dois pedaços
Nizâr Qabbânî
Tradução: André Simões
(do maravilhoso sobre as ruínas)
quinta-feira, novembro 13, 2008
andar de autocarro diariamente é uma coisa extraordinária. cruzo-me todos os dias com gente que doutra maneira não faria parte do meu quotidiano (e quanto mais variedade ele tiver mais contente eu sou...). caminho até à paragem com o Tejo ao lado. tenho mais tempo para ler. ouço música. ouço muitas conversas. enfim, fiz esta opção há mais de 2 anos e gosto.
3 momentos diferentes do dia de hoje nestas andanças:
mulher aparentemente na casa dos 30: "foi com o Osvaldo que aprendi a andar de autocarro. até sair de casa dos meus pais nem de metro eu andava. a minha mãe nunca andou comigo para lado nenhum. um dia ficou triste, fartou-se de chorar, porque lhe disse que a Tânia era a minha melhor amiga. que é que ela queria? nunca saía comigo. sim, eu nunca soube o que é ir a um talho com a minha mãe"
uma mulher aparentemente na casa dos 40, segurava umas folhas em que se lia: "Súplicas que os fiéis podem utilizar privadamente no combate contra os poderes das trevas"
homem aparentemente na casa dos 50: "compro passe há 20 anos, por isso sou accionista da carris. mas também, que é que um homem leva desta vida se não andar aqui nisto para cima e para baixo?"
(eu lia "Outras histórias de São Francisco". em Lisboa :))
domingo, novembro 09, 2008
terça-feira, novembro 04, 2008
o poema não tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não
se escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar de doce menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,
José Luís Peixoto
A criança em ruínas
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