neste mundo profano
sexta-feira, março 09, 2007
Faça-se luz
neste mundo profano
neste mundo profano
que é o meu gabinete
de trabalho:
uma despensa.
As outras dividiam-se
por sótãos,
eu movo-me em despensa
com presunto e arroz,
livros e detergentes.
Que a luz penetre
no meu sótão
mental
do espaço curto
E as folhas de papel
que embalo docemente
transformem o presunto
em carruagem!
Ana Luísa Amaral
para assinalar o dia de ontem, 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.
a todas as mulheres da minha vida. todas. as do passado, as do presente. essas, passado e presente, estarão sempre comigo. sempre. (e ontem, como hoje, não consigo deixar de pensar especialmente numa. a MC. que é minha mãe e está, uma vez mais, numa situação difícil. por incrível que pareça continuo a acreditar na força dela. e a desejar ardentemente que ela a tenha. uma vez mais).
sábado, fevereiro 24, 2007
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
"O mundo é tão vasto, espaçoso,
O céu tão amplo e majestoso!
Tudo quer ver o meu olhar,
Mas não sei como o imaginar"
Para me encontrar no infinito,
Primeiro distingo, depois junto:
Grato está meu canto e seu lume
Ao homem que às nuvens deu nome.
Joahan Wolfgang Goethe
O jogo das Nuvens (Trad. de João Barrento)
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos
terça-feira, fevereiro 13, 2007
algumas notas atrasadas:
SIM. o país desta vez não me desiludiu de todo. irrita-me a abstenção. mas o sim dá-me esperança.
a menina d'óculos contente nunca mais voltou. por onde andará ela a sorrir e a despedir-se da mãe?
todos os dias naquela paragem me lembro dela. será que continua sempre contente? será...
SIM. o país desta vez não me desiludiu de todo. irrita-me a abstenção. mas o sim dá-me esperança.
a menina d'óculos contente nunca mais voltou. por onde andará ela a sorrir e a despedir-se da mãe?
todos os dias naquela paragem me lembro dela. será que continua sempre contente? será...
resisto a habituar-me ao novo Público. é quase como se me obrigassem a mudar de jornal. e a edição online, também renovada, demora muito mais tempo a abrir. tanto vermelho e tantas imagens para quê?
Blood Diamond. Di Caprio é candidato a melhor actor. é um bom candidato. fez-se, o rapaz que começa a perder o ar
de rapazinho. Djimon Hounsou é candidato a melhor actor secundário. ora eu acho que Djimon Hounson não é um actor secundário. eu acho que ele é o herói do filme. no sentido clássico do termo. no sentido cinematográfico do termo. em todos os sentidos, espero (valha isso dos Óscares o que valer) que este menino ganhe um óscar!
Babel. não gostei. acho mau.
domingo, fevereiro 04, 2007
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
(em véspera de Roteiro Pessoano, tropecei neste Campos; ou não conhecia ou há muito que o não lia)
Ora até que enfim..., perfeitamente...
Cá está ela!
Tenho a loucura exatamente na cabeça.
Meu coração estourou como uma bomba de pataco,
E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...
Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!
Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!
Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto resolvido em vários —
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim...
Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o.
Com esforço, mas era para bom fim.
Ao menos era para um fim.
E assim como sou não tenho nem fim nem vida...
Álvaro de Campos
Ora até que enfim..., perfeitamente...
Cá está ela!
Tenho a loucura exatamente na cabeça.
Meu coração estourou como uma bomba de pataco,
E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...
Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!
Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!
Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto resolvido em vários —
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim...
Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o.
Com esforço, mas era para bom fim.
Ao menos era para um fim.
E assim como sou não tenho nem fim nem vida...
Álvaro de Campos
quarta-feira, janeiro 31, 2007
segunda-feira, janeiro 15, 2007
este fim-de-semana vi o documentário de Bruno Almeida, The Art of Amalia.e não posso deixar de contar que adorei conhecer melhor esta extraordinária mulher. de uma força, de uma cultura, de uma dedicação, de uma energia notáveis. Extraordinária forma de vida, diria eu.
Estranha forma de vida
Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.
Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.
Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.
Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.
Amália Rodrigues
quinta-feira, janeiro 11, 2007
UM CARNAVAL
[ou um baile que quero que seja AZUL, digo eu]
Vem ao baile vem ao baile
Pelo braço ou pelo nariz
Vem ao baile vem ao baile
E vais ver como te ris
Deixa a tristeza roer
As unhas de desespero
Deixa a verdade e o erro
Deixa tudo vem beber

Vem ao baile das palavras
Que se beijam desenlaçam
Palavras que ficam passam
Como a chuva nas vidraças
Vem ao baile, oh tens que vir
E perder-te nos espelhos
Há outros muito mais velhos
Que ainda sabem sorrir
Vem ao baile da loucura
Vem desfazer-te do corpo
E quando caires de borco
A tua alma é mais pura
Vem ao baile vem ao baile
Pelo chao ou pelo ar
Vem ao baile baile baile
E vais ver o que é bailar
[ou um baile que quero que seja AZUL, digo eu]
Vem ao baile vem ao baile
Pelo braço ou pelo nariz
Vem ao baile vem ao baile
E vais ver como te ris
Deixa a tristeza roer
As unhas de desespero
Deixa a verdade e o erro
Deixa tudo vem beber
Vem ao baile das palavras
Que se beijam desenlaçam
Palavras que ficam passam
Como a chuva nas vidraças
Vem ao baile, oh tens que vir
E perder-te nos espelhos
Há outros muito mais velhos
Que ainda sabem sorrir
Vem ao baile da loucura
Vem desfazer-te do corpo
E quando caires de borco
A tua alma é mais pura
Vem ao baile vem ao baile
Pelo chao ou pelo ar
Vem ao baile baile baile
E vais ver o que é bailar
Alexandre O'Neill
sexta-feira, janeiro 05, 2007
domingo, dezembro 24, 2006
sábado, dezembro 16, 2006
Para infundir força
Estão na minha taça
a vertigem brilhante
a embriaguez borbulhando.
Grandes redemoinhos
sobre nós às avessas
estão na minha taça.
Um grande coração de urso
um grande coração de águia,
um grande coração de milhafre,
um grande vento que roda-
juntaram-se todos num só.
Estão na minha taça.
- Bebe-a agora.
(Poemas Ameríndios - Papagos- trad. de Herberto Helder)
(a minha amiga S.C. mandou-mo hoje e eu não resisto a partilhá-lo)
Estão na minha taça
a vertigem brilhante
a embriaguez borbulhando.
Grandes redemoinhos
sobre nós às avessas
estão na minha taça.
Um grande coração de urso
um grande coração de águia,
um grande coração de milhafre,
um grande vento que roda-
juntaram-se todos num só.
Estão na minha taça.
- Bebe-a agora.
(Poemas Ameríndios - Papagos- trad. de Herberto Helder)
(a minha amiga S.C. mandou-mo hoje e eu não resisto a partilhá-lo)
quarta-feira, dezembro 13, 2006
quarta-feira, dezembro 06, 2006
segunda-feira, dezembro 04, 2006
segunda-feira, novembro 27, 2006
domingo, novembro 26, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
apanho todos os dias o mesmo autocarro, à mesma hora sempre.
(chego lá cansada, mas levo nos olhos o Tejo)
já conheço as caras de quem partilha a mesma viagem. à mesma hora sempre. na mesma paragem sempre. e antes de chegar espero-as com o entusiasmo de quem vê uma cara que lhe faz bem.
(as caras familiares fazem-me bem)
o segurança acabado de sair do turno, barba por fazer, traz sempre A Bola. Senta-se, abre o jornal e quando eu saio já está a dormir - sairá no sítio certo?
a menina-d’óculos-contente entra a seguir e acena alegremente à mãe que a traz e a vigia da paragem. esta menina-d’óculos-contente deve ter um problema qualquer. vê-se que já teria idade para apanhar o autocarro sozinha, mas não deve conseguir. quando nos aproximamos lá está ela, sempre contente, de mão dada com a mãe. entra sempre atabalhoadamente, com uma enorme mochila, um casaco cor-de-rosa (é novo e antes do frio trazia um cinzento), o passe ao pescoço e senta-se, contente, a dizer adeus à mãe que espera na paragem, continuando invisivelmente de mão dada com ela.
(não olho nunca para trás para saber se a mãe vai logo embora)
a senhora de uns óculos enormes entra na seguinte. aqueles óculos já não existem em lugar nenhum. aquelas saias de pregas e aqueles casacos de malha curtos também não.
(isto sou eu a dizer assim, porque se exibem orgulhosamente ainda entre os Fanqueiros e a Madalena)
ali vou eu, ao pé destes e dos outros todos. a adivinhar-lhes as histórias, os empregos, as vontades do dia, o que terão comido de manhã, a música dos headphones.
(gosto tanto de tentar adivinhar as músicas. nunca devo acertar. e acho isso lindo. e continuo a tentar adivinhar todos os dias)
terça-feira, a menina-d’óculos-contente não entrou. não chegou a tempo, pensei. entretive-me com a senhora de óculos grandes (ia caindo...) e a música dos outros.
quarta-feira, a menina-d’óculos-contente não entrou.
hoje a menina-d’óculos-contente não entrou. pensei nela várias vezes esta manhã. penso nela ainda.
espero ansiosamente pelas oito de amanhã. para voltar à música dos outros e tentar agarrar invisivelmente a mão da menina que tem medo de ir sozinha. ela faz parte das minhas manhãs e não quero que lhe aconteça nada que a impeça de andar contente.
(ela não saberá nunca, mas preciso de continuar a vê-la contente. como se chamará a menina-d’óculos-contente?)
(chego lá cansada, mas levo nos olhos o Tejo)
já conheço as caras de quem partilha a mesma viagem. à mesma hora sempre. na mesma paragem sempre. e antes de chegar espero-as com o entusiasmo de quem vê uma cara que lhe faz bem.
(as caras familiares fazem-me bem)
o segurança acabado de sair do turno, barba por fazer, traz sempre A Bola. Senta-se, abre o jornal e quando eu saio já está a dormir - sairá no sítio certo?
a menina-d’óculos-contente entra a seguir e acena alegremente à mãe que a traz e a vigia da paragem. esta menina-d’óculos-contente deve ter um problema qualquer. vê-se que já teria idade para apanhar o autocarro sozinha, mas não deve conseguir. quando nos aproximamos lá está ela, sempre contente, de mão dada com a mãe. entra sempre atabalhoadamente, com uma enorme mochila, um casaco cor-de-rosa (é novo e antes do frio trazia um cinzento), o passe ao pescoço e senta-se, contente, a dizer adeus à mãe que espera na paragem, continuando invisivelmente de mão dada com ela.
(não olho nunca para trás para saber se a mãe vai logo embora)
a senhora de uns óculos enormes entra na seguinte. aqueles óculos já não existem em lugar nenhum. aquelas saias de pregas e aqueles casacos de malha curtos também não.
(isto sou eu a dizer assim, porque se exibem orgulhosamente ainda entre os Fanqueiros e a Madalena)
ali vou eu, ao pé destes e dos outros todos. a adivinhar-lhes as histórias, os empregos, as vontades do dia, o que terão comido de manhã, a música dos headphones.
(gosto tanto de tentar adivinhar as músicas. nunca devo acertar. e acho isso lindo. e continuo a tentar adivinhar todos os dias)
terça-feira, a menina-d’óculos-contente não entrou. não chegou a tempo, pensei. entretive-me com a senhora de óculos grandes (ia caindo...) e a música dos outros.
quarta-feira, a menina-d’óculos-contente não entrou.
hoje a menina-d’óculos-contente não entrou. pensei nela várias vezes esta manhã. penso nela ainda.
espero ansiosamente pelas oito de amanhã. para voltar à música dos outros e tentar agarrar invisivelmente a mão da menina que tem medo de ir sozinha. ela faz parte das minhas manhãs e não quero que lhe aconteça nada que a impeça de andar contente.
(ela não saberá nunca, mas preciso de continuar a vê-la contente. como se chamará a menina-d’óculos-contente?)
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
já uma vez aqui tinha posto este verso do Caeiro. mas hoje amanheceu assim na minha aldeia e não resisto.

já uma vez aqui tinha posto este verso do Caeiro. mas hoje amanheceu assim na minha aldeia e não resisto.
o Sol disse bom dia e foi embora.
o Tejo, esse, cumpre todos os dias a sua missão. fica ali, ao meu lado, enquanto eu desço. tentando não pensar em nada, estando só ao pé dele.
domingo, novembro 05, 2006
terça-feira, outubro 31, 2006
segunda-feira, outubro 30, 2006
segunda-feira, outubro 23, 2006
domingo, outubro 22, 2006
segunda-feira, outubro 16, 2006
quarta-feira, outubro 11, 2006
domingo, outubro 08, 2006
quarta-feira, setembro 27, 2006
segunda-feira, setembro 18, 2006
Volverbom.
é bom voltar a Almodóvar.
é bom voltar a La Mancha e sentir o vento bater-nos na cara.
(o reencontro da mãe e das filhas é também um reencontro com uma certa Espanha não muito diferente de um certo Portugal.
gosto disso. gosto do vento. gosto da ideia do reencontro e da tradição. não gosto tanto de alguma inconsistência narrativa que me faz sentir o todo muito aquém dos últimos três filmes do menino. mas gosto da Penélope)
quarta-feira, setembro 13, 2006
A recusa das imagens evidentes

IV
Há noites que são feitas dos rneus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca forarn feitas.
Há noites que levamos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à bainha dum cometa.
Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
A mais longínqua onda do seu canto.
Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nos fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.
Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exactidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.
Natália Correia, que soube recusar as imagens evidentes, nasceu a 13 de Setembro

IV
Há noites que são feitas dos rneus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca forarn feitas.
Há noites que levamos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à bainha dum cometa.
Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
A mais longínqua onda do seu canto.
Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nos fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.
Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exactidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.
Natália Correia, que soube recusar as imagens evidentes, nasceu a 13 de Setembro
domingo, setembro 10, 2006
quarta-feira, setembro 06, 2006
Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill
quarta-feira, agosto 23, 2006
quarta-feira, agosto 16, 2006
Peguei o arco-íris pelas pontasE dei-lhe as duas voltas de um cachecol
A ver se assim das nuvens tu me contas
Porque és agora chuva, agora sol
Porque é que o teu olhar carmim-celeste
Tem do azul toda a melancolia
E o beijo cor-da-lua que me deste
À beira da maçã que em mim floria
Porque há lilases brancos no teu sonho
Promessas cor-de-fogo no sorriso
Talvez sejam as cores que eu componho
Talvez sejam as cores que eu preciso
Nas verdes madrugadas dos amores
Em todas elas eu me sinto tua
Talvez o arco-íris tenha as cores
Que eu só consigo ver à luz da Lua
poema de João Monge -o cachecol do fadista- cantado por Aldina Duarte, em Crua
, em Crua)
(imagem de pormenor do mar e do céu na Ponta do Sal)
sexta-feira, agosto 11, 2006
Obrigada!
a todos!
aos que telefonaram.
aos que mandaram mensagens.
aos que mandaram e-mails.
aos que mandaram e-cards.
aos que fizeram comentários aqui.
(a quem fez um post sobre isso. Ai Nádia, Nádia!)
aos que foram.
aos que estiveram muito tempo.
aos que estiveram pouco tempo.
aos que não se esquecem nunca.
(aos que se esquecem, mas que um dia destes se lembram!)
fiz 33 anos ontem.
que bom ter amigos!
a todos!
aos que telefonaram.
aos que mandaram mensagens.
aos que mandaram e-mails.
aos que mandaram e-cards.
aos que fizeram comentários aqui.
(a quem fez um post sobre isso. Ai Nádia, Nádia!)
aos que foram.
aos que estiveram muito tempo.
aos que estiveram pouco tempo.
aos que não se esquecem nunca.
(aos que se esquecem, mas que um dia destes se lembram!)
fiz 33 anos ontem.
que bom ter amigos!
segunda-feira, agosto 07, 2006
quinta-feira, agosto 03, 2006
Tempo de férias. Pinhal de Leiria.
D. Dinis
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
(Fernando Pessoa, Mensagem)
D. DinisNa noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro, Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
(Fernando Pessoa, Mensagem)
terça-feira, agosto 01, 2006
Tempo de férias. Mar I
Mar sonoro
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Mar sonoroMar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
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